sexta-feira, 18 de julho de 2008

Sistema de Avaliação de Desempenho da Educação de Angola


Só para variar, vou falar hoje do Decreto7/08, de 23 de Abril, que apresenta o Sistema de Avaliação de Desempenho, "adequado à matriz do novo Estatuto da Carreira dos Docentes do Ensino Primário e Secundário, Técnicos Pedagógicos e Especialistas de Administração da Educação".
Lembrei-me de mostrar algumas cláusulas, talvez porque uma das coisas positivas que o Primeiro Ministro fez lá ontem em Luanda foi concertar o envio de 200 Professores portugueses para ajudar no ensino secundário. Como devem ter ouvido, esses Professores (espero que mereçam a maiúscula) vão ser remunerados com um fundo criado a partir do pagamento de Cabora- Bassa. Uma espécie de justiça poética...
Eu tenho pena de não ser mais nova para poder solicitar o ingresso neste contingente. Mas não posso pensar que ainda sou capaz e tenho de me consolar com a ideia de que posso fazer outras coisas. Contudo, quero frisar que esta Resolução é do melhor que há: os Angolanos querem aprender e não têm quem os ensine. Embora espere que alguém se lembre de fazer uma formação específica para os Professores que aderirem... Porque estas coisas, para serem a sério, não é é como alojar pessoas em bairros onde é preciso saber viver e não os ensinar antes, não os enquadrar...
Bem, mas vamos ao Sistema de Avaliação:

Artigo 2º: Objectivos da Avaliação:
a) despertar nesses trabalhadores a necessidade de superação constante, capacitando-os científica e pedagogicamente para as suas tarefas quotidianas;
b) incentivá-los para a disciplina pessoal no cumprimento de todas as tarefas diárias ou periódicas que concorram para a planificação, organização ou execução da actividade laboral;
c) contribuir para o aumento do seu prestígio social e brio profissional.

Artigo 4º: Incidência
1. A avaliação do desempenho do pessoal docente, técnicos pedagógicos e especialistas de administração da educação incide sobre a actividade docente, a gestão e administração da educação, a disciplina profissional e as tarefas complementares, em conformidade com a Secção I, do Capítulo IV, do Estatuto da Carreira dos Docentes do Ensino Primário e Secundário, Técnicos Pedagógicos e Especialistas de Administração da Educação.
2. A atribuição da classificação negativa determina suspensão na contagem de tempo de serviço, relativa ao período a que a avaliação de desempenho se reporta, para efeitos de promoção.
3. A atribuição de duas classificações negativas consecutivas é condição suficiente para a instauração de processo disciplinar, por incompetência profissional".

Hoje fico por aqui. Julgo (só agora tal ideia me veio à mente) que não estou a cometer nenhuma ilegalidade. Porque, se os que por aqui passarem demonstrarem interesse, tenciono ainda acrescentar o carácter da avaliação, as classificações, a graduação dos indicadores de avaliação. Interessantes e muito tangíveis.
O simples facto de 200 Professores poderem ir para Angola ensinar, provavelmente outros Professores, enche-me de orgulho e faz-me sentir feliz. Aviso, contudo, que eu já falo muito "angolês" quando por lá ando...

6 comentários:

Licas disse...

Olá Avó ...
Ando um pouco fugida sim. Sabe que a partir de Junho/Julho passo-me geralmente de armas e bagagens para Abragão, porque temos espaços mais abertos e sobretudo a oportunidade de fazer trabalhos que aqui não fazemos e conviver mais um pouco.
Vem cá de vez em quando e só cá tenho computador.

Fiquei mais elucidada com a avaliação de desempenho da educação em Angola, que aliás desconhecia.

E V. Exª por onde anda?
Não quer ir apanhar um dia ou mais de bons ares sobre o Tâmega?

Terei muito gosto em recebê-la

Pedrita disse...

no brasil poucos querem ser professores. a remuneração é bastante precária. o brasil investe muito pouco na capacitação dos professores e na reciclagem. é uma pena pq é uma profissão tão vital a qualquer nação desenvolvida. beijos, pedrita

Raul Martins disse...

Carmo, foste o meu "jornal" de notícias... ando tão atarefado com os meus trabalhos que nem me dei conta que os nosso "chefe... mas pouco" andava por terras de Angola...
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Não fora a vida estar encaminhada e os filhos a crescer que bem me aventurava... sabes que estive quase, no início da carreira, a ir para lá por convite de D. òscar, agora bispo-emérito da minha Benguela?
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E eu estou interessado em saber mais sobre o Sistema de Avaliação de Angola. inscrevo-me na lista dos que querem saber mais.
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Obrigado pela partilha.
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Carpe diem!

Passiflora Maré disse...

Gostei de saber, essencialemnte, porque a norma do artigo 2º, sendo uma norma de cariz generalista, poderia (e deveria) aplicar-se a qalquer classe de profissionais de um país civilizado.
Que bonito seria se fosse aplicado aos nossos jardineiros, às nossas empregadas domésticas, aos nossos cantoneiros, aos nosos políticos aos nossos gestores bancários, etc, etc, etc!!!
E não só às classes profissionais que estão debaixo de fogo, como os professores, os juízes, e os médicos...

CLAP!CLAP!CLAP! disse...

Olá! Só vim mesmo dizer olá...que de articulados fujo como o diacho da cruz!
Ah, e a sua perspicácia, como vai?
;--)

Maria do Carmo Cruz disse...

Licas, obrigada pelo convite, mas, como deves ter depreendido, estou em "manutenção"...
Estou aqui pelo meu Porto de adopção, com visitas diárioas ao fisioterapeuta e muitas leituras. Passeio lento ao fim da tarde para reaprender a andar...
Enfim, nunca senti tanto a falta de um Companheiro desde que fiquei sem o MEU COMPANHEIRO. Mas, atenção, um Companheiro só para companhia... (este texto vai cheio de reticências!) E fico por aqui que os pretendentes podem fazer fila à porta e não quero dar espectáculo...
Mas eu vivo aqui num sítio simultaneamente central e sossegado. Quando estiveres pelo Porto, pelo menos até ao fim do mês, diz qualquer coisa. Até tenho telemóvel e não me preocupa demasiado publicá-lo, mas não o faço hoje pour cause...
O meu e-mail está no blogue.
Bom fim de semana e um beijo da Avó Pirueta.