quinta-feira, 1 de maio de 2008

Futuros e condicionais

A Língua Portuguesa é mais do que a minha Pátria: é o meu orgulho! É bela, é cantante, é rica, é volúvel. A Língua Portuguesa é Mulher! Por isso tudo, que nada é, e pelo não dito, fico muito triste quando vejo as maldades que lhe fazem. Fico arrepiada quando vejo "concerteza", porque nunca vi ninguém escrever "semcerteza". Fico furiosa quando separam o sujeito e o predicado um do outro com uma vírgula. Fico com pena, garanto, quando se esquecem de que antes do vocativo ela, a vírgula, também é precisa. E passo a vida a limpar as lágrimas das preposições esquecidas, retiradas de junto dos seus verbos queridos. Ai, As coisas de que eu gosto na minha Língua! Mas, repito, não gosto nada daquilo que lhe fazemos como falantes e como Povo. Já repararam que não usamos o futuro? Parece que queremos o futuro, aqui, já, sem trabalho nem construção e dizemos "amanhã vou à Praça da Liberdade". E também, por preguiça, por ignorância, deixámos há muito de usar o condicional (que eu recuso-me a chamar-lhe outro nome). Vamos contra toda a lógica gramatical e dizemos (eu não digo, por teimosia): "Se me saísse o Euromilhões comprava uma casa em Espanha."
Comprava? Mas "comprava" não é pretérito imperfeito? E não me venha para cá a Dra. Edite Estrela falar no condicional de politesse, como a ouvi dizer, uma vez, num programa televisivo!
Depois, de vez em quando, mudam as designações. E nem sequer estou a falar do famoso TLEBS! Bem, mas na prática, o que me incomoda é que os nossos alunos aprendem línguas. Em que se usa o futuro e o condicional. Há funções da linguagem, em inglês, por exemplo, que exigem o futuro: "I'll love you forever!" (Gosto de coisas positivas...) e outras que exigem o condicional: "Would you like going to te beach?"
Estes exemplos são minimalistas se nos lembrarmos das situações em que deveríamos usar o futuro e o condicional e são o fazemos.
Será que, pessimisticamente, poderei dizer que o Português não tem Futuro e que, mesmo assim, não aceita condições?...

15 comentários:

Maria do Carmo Cruz disse...

O primeiro comentário é meu... Para corrigir "to the beach"...

Raul Martins disse...

E o segundo é meu, PARABÉNS!!! pelo novo desafio que coloca a si própria.
Que esta nova condicionante da sua vida seja um futuro risonho.
Eu, nós... Agradecemos esta aventura na blogosfera.
E a Língua Portuguesa, a nossa Pátria, bela, cantante, rica ( e volúvel, é verdade) também agradece.

Miguel Pinto disse...

Bem-vinda, Carmo. Piruetas de Avó, porquê? :)

Fátima André disse...

Parabéns, Carmo por esta nova aventura.
Vou ser uma leitora atenta. Começo por fazer um enlace no meu blog para facilitar aos meus leitores o acesso ao seu.
Um grande beijinho com votos de muitas letras a brincar on-line e muitos :)

Maria do Carmo Cruz disse...

Piruetas de Avó, porquê, Miguel? Fui baptizada Maria do Carmo mas fui sendo conhecida pelos seguintes nomes: Parola (um dos meus apelidos) desde a primária e até aos 18 anos; "Rucha", pelo meu namorado e depois meu Marido durante 40 anos, em casa; depois, a partir de 1963, na Escola, Professora; depois, a partir de 1993, Avó Pirueta, quando o primeiro neto tinha três anos. Porque eu tinha uma siamesa chamada Pirueta. E porque eu era (e sou) muito parecida com ela: adoro ser avó e adorava brincar às maluquices quando eles eram pequenos. Depois de 2004, em Moçambique e em Angola, passei a ser "Mãezinha" para muitos filhos e Professora para os que querem aprender. Também há um grupo de 29 que me chama Tia Carmen". Do que mais gosto é de ser Avó Pirueta. Imaginem-me com três netos, em escadinha, num domingo à tarde, num centro comercial, e um deles, no pico da excitação por ter visto algo de que gostou gritar: "Avó Pirueta, olha!" E imaginem eles a chamarem "Avó Carmo!" Qual destes vocativos faz virar cabeças invejosas?
Explicado, Miguel? Obrigada, Raul, Obrigada, Miguel, obrigada, Fátima.
Raul, podes mandar-me a conta do marketing... Depois, verei a forma de pagamento...
Descansem bem, vocês todos que são Trabalhadores. Também estou a trabalhar. Como vocês se ririam se soubessem o que estou a fazer! Abraço para todos os que passarem por aqui.

O Profeta disse...

Na água tudo se perde
Lavas do rosto a desventura
Uma lágrima é simples gota
Perdida do mar da ternura


Bom feriado


Doce beijo

3za disse...

Não importa o teu nome... doçura vem com qualquer rótulo que é sempre doce! Bem-vinda! Beijinho grande

ematejoca disse...

Bem-vinda à blogosfera, avó piruta.
Que nome encantador!
Quando os meus netos chamam vovó Tété ninguém vira a cabeca.
Saudacoes de Düsseldorf!

Anabela Magalhães disse...

Olá Carmo!
E aqui está mais uma a aventurar-se pela blogosfera!
Parabéns pelo teu blogue que eu acompanharei atentamente.
Também te vou enlaçar.
Bjs
Anabela

Raul Martins disse...

A "mãe pirueta!" - mais um nome-, não precisa de Marketing... E se algum houve a factura já está paga.
O que eu fiz foi o mesmo que fizeram comigo. O JMA foi quem primeiro deu a notícia no Terrear - e que melhor palco poderia ter! - e depois foi ver amigos a chegar.
É a nossa "teia" a funcionar neste "Existente Instante" à procura de fotografar "dias mais azuís" e sonhando sempre com "dias mais claros" neste no planeta que tem de ser uma casa de "afectos" onde a educação de ser sempre "revisitada" com novos "olhares".

Carpe diem!

Raul Martins disse...

no nosso planeta que tem de ser uma casa de "afectos" onde a educação deve ser sempre "revisitada" com novos "olhares".

...são as pressas!!!

JMA disse...

Sou o décimo segundo a comentar e a saudar. Chegado a casa vi esta bela notícia. Bem-vinda, avó pirueta. Bem-vinda, mulher única. Bem-vinda, Professora singular. Bem-vinda, Pessoa extraordinária. Bem-vinda.

Maria do Carmo Cruz disse...

Vocês, meus Amores, querem dar cabo de mim com tanta emoção? Sabem que vivo sozinha e se me dá uma solipanta para aqui fico até amanhã chegar a Gorete? Contenham-se, meus Queridos, porque eu sou assim uma "pobre velhinha, sem casa, sem lar, abram-me a porta, deixem-me entrar", como dizia O Lobo Mau a querer entrar na casa dos três Porquinhos... Sabem, cada vez que volto de Angola ou de Moçambique, toda a gente diz que venho mais nova 5 anos (deve estar quase a renascer...) Mas vocês todos, meus Amigos, que me acolheram, me abriram as portas, vocês tiraram-me pr'aí uns 15 anos de idade. Só peço que ninguém diga nada lá para o Ministério senão ainda me chamam outra vez para a Escola. E agora eu quero a minha escolinha debaixo das mangueiras, dos embondeiros, de coisas assim para o natural. O humor é apenas para esconder a emoção de me terem aceitado como uma de vós. Obrigada. Avó Pirueta

Raul Martins disse...

Sempre foi uma de nós.
Eu sabia que havia por aí uma estrela
que já muitos havia iluminado
e que agora era a nossa vez
de acolher a sua luz na plenitude.
Um sorriso do tamanho de todos os seus amigos,

bell disse...

Parece que só tem presente! Pelo menos, os meus alunos usam-no para contar histórias passadas e apresentar projectos futuros. É "omni-presente"!