quarta-feira, 13 de abril de 2016

RELAÇÕES ENTRE AS PALAVRAS


Como se designam as relações entre as palavras, tendo em conta a ortografia, a pronúncia e o significado? Vejamos o quadro:

Designação
Ortografia
Pronúncia
Significado
Homonímia (palavras homónimas)
Passo (substantivo, verbo passar)
mesma
mesma
diferente
Homografia (palavras homógrafas)
Colher (substantivo e verbo)
mesma
diferente
diferente
Homofonia (Palavras homófonas)
Acento e assento
diferente
mesma
diferente
Paronímia (palavras parónimas)
Perfeito e prefeito
parecida
parecida
diferente
Sinonímia (palavras sinónimas)
Parecido e semelhante
diferente
diferente
mesmo
Antonímia (palavras antónimas)
Rico e pobre
diferente
diferente
oposto

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Oração de Natal para sempre

Amigos, falta-me a inspiração. Não sei se se me secou o coração se está dormente. Fui, por isso, ler o que escrevi o ano passado e senti que se justificava rezar a mesma oração-Partilho-a convosco:

Senhor Menino Deus,
Estou à Tua espera, confiante,
Como aquela criança que um dia Te esperou.
Já não te peço a boneca de pano, tão sonhada,
Já não espero o livro da Condessa de Ségur.
Mas sinto este cheiro dos sonhos e canela
Que se solta das lojas da cidade,
Descubro sorrisos verdadeiros
Pendurados em rostos ansiosos,
Pressinto as angústias escondidas
Por detrás de rugas juvenis
E com o atrevimento que já conheces
Peço-te, meu Senhor Menino Deus,
Que me dês um Sinal.
Recordo-te, Menino, que quando
O sapateiro Martinho te pedia
Que o deixasses ver-Te,
Tu lhe prometeste que Te veria, sim.
Dia após dia ele Te esperou
Na sua oficina rebaixada
Por onde via passar a multidão.
E foi assim que, esperando,
Ajudou a viúva e os seus meninos,
Deu a sopa quente ao velho sem família,
E a laranja à criança triste que passou.
E quando, à noite,
Triste e desencantado Te perguntou
Por que não tinha merecido que viesses,
Que lhe respondeste, Deus Menino?
“Martinho, eu estive contigo. Tu viste-me.
Viste-me naquela mãe desesperada,
Viste-me no velhinho que aqueceste,
Viste-me na criança que afagaste.
Era eu, Martinho, sempre eu”.
Martinho compreendeu e aprendeu a ver-Te em cada irmão.
Mas eu, se não me ajudares,
Se não abrires meu coração e os meus olhos,
Esperar-te-ei todos os dias da minha Vida
E talvez até descreia em Ti.
Por isso, meu Menino, abre meu coração e os meus olhos
Para que eu Te veja também em cada Outro,
Porque é assim que quero receber-Te
Quando outra vez nasceres neste Natal.
Não peço nada para mim, Senhor Menino,
Tenho Pão, tenho Calor, tenho o Carinho
De tantos Amigos que me deste.
Quero apenas ser capaz de Te encontrar
Em cada um dos que sofrem e procuram
Um pouco de Paz, Amor e Alegria.
Por quanto tempo, Senhor, hei-de esperar
Para Te descobrir em cada Irmão?
Peço-Te, ao menos, meu Menino,
Que a todos dês, no Dia em que nasces novamente
E em todos os que concederes a cada um,
Um Santo Natal e um Ano Novo Bom.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Lembranças do Passado

Creio já ter contado neste espaço que o meu Pai comprava livros velhos a peso para usar como papel de embrulho. Isto nos idos dos anos 50 do século passado. Foi essa circunstância que me permitiu, até aos 11 anos, ter lido "Nossa Senhora de Paris", "Os Miseráveis", "A Cabana do Pai Tomás", "O Caçador de Veados", toda a obra de Charles Dickens, etc., além de muitos autores portugueses Até porque também vinham no lote muitas revistas e, por causa dos hóspedes, o meu Pai comprava "A Província de Angola" aos Domingos. Ali li e vi desenhos e poemas de Neves e Sousa e os romances em folhetim de Reis Ventura.
Um dos livros que me apareceu, teria eu uns 9 anos, era de capa dura, onde estava escrito o nome do autor - Camilo Castelo Branco - e o que me parecia ser o título da obra e que eu lia "O Brás". Lá dentro, contudo, não havia Brás nenhum e só alguns anos mais tarde é que confirmei que O Brás era, pura e simplesmente, "OBRAS"...
O romance chamava-se, de facto, "O Bem e o Mal" e é uma das minhas obras preferidas de Camilo. Nela se conta um episódio de um padre jovem ter sido desviado da sua paróquia, onde era amado pela sua bondade, graças ao ofícios do seu padrinho, um fidalgo que se tinha zangado com ele. Recomendo a leitura, mas agora vamos ao que interessa.
O fidalgo em breve caiu em si e o padre foi enviado de volta aos seus paroquianos, que quiseram festejar o regresso com farto jantar, música e foguetório. Com muita diplomacia, o Padre conseguiu chamar a si a administração dos donativos para a festa e, no Domingo aprazado, andava o povo todo desconfiado: não se ouvia banda nenhuma, não tinha havido toque de alvorada e da chaminé da casa do Padre vinha fumo com bom gosto mas não cheirava a carne assada.
Começa a Missa e no fim da homilia o Padre começa a chamar um a um os mais pobres da paróquia, a quem entrega roupas quentes e cobertores para o inverno que se aproximava. Quando os membros da Fábrica da Igreja (era assim que se chamava) começaram a murmurar, disse ele:
- Amigos, estais todos convidados para uma boa malga de sopa rica para depois da Missa.
- E a música? perguntou um.
- Pois não a ouvis? Não ouvis como os anjos tocam para nos alegrar?
- Senhor Prior, mas os foguetes? Ao menos, diga-nos onde estão os foguetes! pediu, mais outro.
- Então não vistes os foguetes? E foram de lágrimas, lançados aqui pelos nossos irmãos.
Pronto, quem quiser saber por que foi o Padre afastado e o que aconteceu ao resto da festa, leia o livro.
Tenho-me lembrado muito desta cena ultimamente e mais ainda quando soube de um facto real que aconteceu há pouco: um português nascido em Moçambique e que veio para Portugal em 1974 resolveu há pouco tempo ir visitar a sua cidade natal. Procurou amigos do Liceu e encontrou bastantes. Feliz com o reencontro, resolveu promover um grande jantar de confraternização no melhor restaurante da cidade, para o qual convidou todos os antigos condiscípulos.
Quando, a pé, em grupos, se encaminhavam para o restaurante, o anfitrião verificou que havia poucos sinais de regozijo. em contraste com a forma entusiasmada com que o tinham recebido. Achou estranho, tão estranho que não descansou enquanto não conseguiu que um deles lhe confessasse:
- Sabes, pá, o caso é que vais gastar uma quantidade de dinheiro com este jantar e depois, daí a duas ou três horas, o que resta do jantar? Nada, pá. Por outro lado, todos nós devemos dinheiro. Todos temos problemas. Custa-nos pensar que o dinheiro que vais pagar pelo jantar dava para liquidar as nossas contas.
Pronto, não conto mais. Dão-se alvíssaras a quem adivinhar como terminou a história... Verdadeira, garanto.
Porque me lembro destas histórias agora? Ora, tem tiver olhos para ler, entenda. E sei que há muitos olhos que sabem ler.
Para o caso de me faltar a inspiração, para todos os meus Amigos, os meus Irmãos, BOAS FESTAS!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Livros, materiais, sonhos...

Estamos numa altura do ano em que somos convidados para almoços e jantares de Escola. Num desses almoços ouvi vários Professores queixarem-se da quantidade de livros que têm em casa, ocupando espaço e sem utilização prática. Perguntavam entre si como poderiam "ver-se livres" deles.
Ora acontece que respondi a um pedido para colaborar em projectos ligados à Educação, como voluntária. Um deles, KU TIVA, uma palavra em dialecto chananga, de Moçambique, e significa "conhecimento, saber" pretende mesmo obter livros escolares e outros materiais para as escolas profissionais daquele País. Sinto-me feliz por ter salvo muitos livros de uma morte sem sentido...
Bem, mas este Projecto precisa de gente que ajude. especialmente de Professores aposentados, porque estão dentro do assunto.
Acham mal que partilhe convosco o Projecto? Espero que não, porque, a partir de amanhã, começarei a publicar informação sobre o que podemos fazer para ajudar os alunos moçambicanos a ter acesso a livros.
Tenho a certeza de que muita gente que dedicou a sua vida a ensinar gostaria de continuar a alimentar o "bichinho" sem horários nem obrigações maiores do que as que o coração e a sensibilidade ditarem. Contamos com eles. Eu, os alunos, os Professores moçambicanos e mais umas Pessoas de que irei falando...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Boas Ideias

Sim, são muito boas ideias. São como aquele slogan do totoloto: "É fácil, é barato e dá milhões", lembram-se? Estas boas ideias de que vos falo são as que ouvi uma destas noites no concurso "Quem quer ser milionário?", sessão especial de Natal para apoio à Cruz Vermelha. Dizia uma senhora, creio que vice-presidente da instituição, que era muito fácil ajudar:
  1. Podemos comprometermo-nos a levar o jornal no fim-de-semana a uma pessoa sozinha e que não possa fazê-lo por si.
  2. Ou aceitar telefonar uma ou duas vezes por dia a uma pessoa sozinha. Para falar com ela. Para saber se está tudo bem.
  3. Ou ir visitar um doente a um hospital. Uma vez por semana. Alguns minutos. Nem sequer é preciso ser em dia certo.
  4. Ou...

Estou a ver (como já vi) alguém a pensar que estas pessoas não precisam de ajuda. Devemos reservarmo-nos para os "pobrezinhos", os que não têm casa, não têm comida, têm frio. Pois...

A Caridade que nos levaria a aceitar aqueles três desafios acima ou outros semelhantes é verdadeiro Amor. Não quero dizer que não devamos ajudar os necessitados. Mas isso, geralmente, faz-se dando qualquer coisa: dinheiro,víveres, roupas, etc. E pondo o corpo fora.

Mas quando damos tempo, palavras nossas, sorrisos, aí não damos dinheiro: aí, damo-nos. E, estranhamente, até parece que ficamos maiores, que aumentamos de tamanho, em vez de diminuirmos. Não sei se é possível comparar as necessidades de quem tem fome de comida e quem tem fome de uma palavra, de um gesto. Julgo que não se pode comparar. Cada uma tem as suas especificidades, mas creio que o sofrimento que se sente em cada um dos casos pode ter muito em comum.

Sei, por outro lado, que por estes dias há Professores que se apercebem de que alunos seus estão a passar por situações difíceis. E podem ter a certeza de que os Pais deles não são dos que se queixam em público. Por favor, sejam sensíveis: discretos, mas actuantes. Não exponham o que descobrirem. Mas, com a tal discrição exigida, mostrem-lhes que podem contar convosco.

Verifiquem se há casos de fome e mobilizem boas vontades. Há muita gente que gosta e quer ajudar. Discretamente. Anonimamente. E aí, a maior parte das vezes, basta dar...

Bem, estamos quase no Natal. Aproveitemos as boas-vontades...

Ah, antes de acabar: estou muito feliz porque a Madre Maria Clara, Fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição vai finalmente ser beatificada. Há muito que esperávamos esta bênção. Irmã Olinda, Irmã Susana, Irmã Rosa, estamos de parabéns!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Partilhar as coisas boas

Ontem esqueci-me de informar quem me lesse quais os meus objectivos com este regresso à blogosfera. Embora sem grandes ilusões sobre o a importância que as minhas palavras possam ter, gostaria que este espaço fosse um local onde eu pudesse comentar o nosso dia-a-dia, falar de projectos em que a acção de cada um pode fazer a diferença, partilhar experiências.
Vamos por aí, hoje: partilhar ideias e opiniões sobre livros.
Sei que Livros e Amigos não se recomendam. Às vezes, só por isso, se perdem ambos... Mas o que seria a Vida sem riscos?
Para começar, falarei de "Jesus Hoje", de Albert Nolan, Edições Paulinas. É uma obra desempoeirada, que me fala de um Jesus que eu sabia que existiria mas de que pouco tinha ouvido falar. Foi um choque encontrar um livro destes escrito por um Católico. Ando a lê-lo e a relê-lo há dois anos. Levo-o para todo o lado onde tenha que esperar. Não dou pela passagem do tempo. E encontro sempre um Jesus Renovado e Inspirador.
Outra obra que me surpreendeu foi "A Independência de uma Mulher", de Colleen McCullough, a autora de "Pássaros Feridos", entre outras obras imperdíveis. Inesperado. Lembram-se da Menina Elizabeth Bennet, que casa com o Senhor Darcy, em "Orgulho e Preconceito"? Lembram-se de que Jane Austen nos garantia que eles seriam felizes para sempre? Pois Colleen McCullough acha que não foi bem assim...
"Indignação", de Philip Roth, na minha opinião, deve ser lido sem nenhum lamiré. Porque assim poderemos ler duas obras pelo preço de uma: a primeira vez, sem ideias nenhumas e depois, quando já se sabe o que aconteceu.
"As Serviçais", de Kathryn Stockett, só me merece um adjectivo: FABULOSO! Fazendo-nos Recordar "Não Matem a Cotovia", de Harper Lee, localiza a acção em 1963, num estado amricano sulista e é uma história que não se consegue pôr de lado.
Por fim, e outra vez, "501 Dicas para Professores", de Robert D. Ramsey. Não é nada mais do que isso - 501 dicas para Professores. Mas ainda hoje ando com ele atrás de mim para me inspirar.
Por hoje é tudo. Não há fartura que não dê em fome e vice-versa, é claro...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pessoas que nos fazem melhores

Depois de quase um ano de ausência, voltei. Espero ter voltado para ficar.
Bem, quero recomeçar com um pouco de coisas boas. Por exemplo, falando do almoço que foi oferecido à Paula Aires Pereira, na Filipa de Vilhena, no dia 1. Não vou falar dela, da Paula. Quem a conhece, sabe. Quem não a conhece, não ficaria a saber mais, porque não seria possível fazer-lhe justiça em palavras.
Acontece que "botei palavra" e contei algo que gostaria de escrever aqui, até porque algumas pessoas então presentes estariam interessadas em voltar a ter acesso ao que disse.
Como os que me conhecem sabem, tive a sorte de nascer pobre e a felicidade de ser criada numa casa onde se compravam livros ao quilo para usar com o papel de embrulho. Li tudo o que pude antes de os livros seguirem o seu destino inexorável a embrulhar açúcar, cafe, massa de tomate, arroz, etc. Sempre com um aperto no coração.
Um dia, teria eu os meus 10 anos, ( e já se passam quase mais 60) li algo num exemplar das Selecções do Reader's Digest que nuna mais esqueci. Foi essa pequena estória que usei para fazer o elogio da Paula. Aqui a partilho:
Uma senhora americana de origem índia trabalhou durante alguns anos a limpar a casa de uma família, até que um dia, com muita pena, os patrões tiveram que lhe dizer que tinham de prescindir dos seus serviços, porque não podiam pagar-lhe. Ela lamentou e disse-lhes, à despedida:
-Queria agradecer-vos, porque foi muito bom para mim trabalhar aqui. Gostei sempre mais de mim quando estava convosco.
Que enorme elogio!
Pois foi isso que senti com a Paula: ela tem essa extraordinária capacidade de puxar para fora o que temos de melhor. Também eu gostava mais de mim quando trabalhava com ela!.
Paula, obrigada por tudo o que me deste e, especialmente, por me teres feito gostar de mim.
Que Deus te abençoe.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O que é que se passa connosco?

Acabo de ver o Telejornal e estou um tanto abalada. Não sei até que ponto o meu espírito natalício me ajudará a ter compreensão para duas notícias que me tocaram. Depois de ter visto o Presidente Lula da Silva discursar em Português na Cimeira do Clima em Copenhaga, vi, logo a seguir, o Primeiro Ministro português falar em inglês. Fiquei envergonhada! E, daí a pouco, ouço que o hino da selecção portuguesa para o Campeonato Mundial de 2010 é uma música dos Black Eye Peas! Mas nós perdemos de todo o amor-próprio ou sou eu que estou atrasada relativamente ao momento histórico? Bem conheço o aforismo que diz que "não é próprio chamar amor ao amor-próprio", mas, caramba, nem tanto ao mar nem tanto à terra!
Na verdade tenho de confessar que talvez ande um tanto susceptível, porque também me irritei com uma peça publicada hoje na revista "Sábado", sob o título "As figuras mais cruéis da Bíblia". Um chorrilho de banalidades, sem nenhuma profundidade e mostrando uma grande ignorância sobre o assunto, apesar da senhora que escreveu se ter dado ao trabalho de ouvir dois padres e um pastor. Logo no preâmbulo, a senhora define a Bíblia como "o livro de Jesus". S.Pedro, pelos vistos, foi cruel porque negou Jesus três vezes, E não recebeu nenhum castigo porque se arrependeu. Coitado de S. Pedro que até foi crucificado de cabeça para baixo! E vai por aí adiante. Os jornalistas mais jovens não recebem, garantidamente, ensinamentos nem normas nos campos da sensibilidade e bom senso. Basta reparar nas perguntas tolas que disparam e a falta de humildade ao humilharem, tantas e tantas vezes, as pessoas que entrevistam. Não refiro a falta de cultura geral porque essa, então, é de bradar aos céus.
Já a semana passada me indignei porque tomei por minhas mágoas alheias. Não gostei de ver como a revista Visão apresentou a vida e os gastos dos angolanos ricos em Portugal. Não se atrevendo a chamar claramente desonestos a esses cidadãos, fizeram grandes parangonas do que compram e da vida que levam. Ora vão lá a raciocinar um pouco: o dinheiro é deles ou não é? Se não é, onde é que isso nos coloca, a nós, portugueses? E se é, o que é que nós temos a ver com o facto de comprarem coisas caras e de bom gosto? Será por serem escuros de pele que não podem ter bom gosto e gostar de coisas boas? Sentir-nos-emos no direito de reclamar porque em Angola há muitos pobres? E em Portugal não há pessoas que levam vidas luxuosas e pobres a quem falta pão, calor, tecto, até remédios? Ora deixemo-nos de paternalismos serôdios e sejamos mais honestos. Não aconteça que de nós se possa dizer que vemos o argueiro no olho do vizinho e não vemos a trave no nosso olho.
Já agora que estou, reconhecidamente, a usar o blogue para desabafar as minhas mágoas, devo confessar que tenho andado muito incomodada com a incapacidade que temos tido de diminuir a fome no mundo. Ainda mais porque, tendo andado no meio, sei quanto do dinheiro e comida que se dá para os famintos se perde entre as mãos que dão e as mãos que recebem. Dói-me ver a Caridade feita emprego e, ainda por cima, emprego bem pago e com mordomias.
Bem, já desabafei. Gostaria de referir alguma coisa boa, mas apenas me lembro da alegria que vi em alguém apenas porque uma pessoa que há muito se afastara lhe mandara uma simples mensagem de Natal.
Pois é: temos de nos lembrar mais dos outros, porque também há quem tenha fome de Companhia, de Afecto, de uma palavra compreensiva. E isso é tão barato! Boas Festas!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A minha Oração de Natal de 2009


Senhor Menino Deus,

Estou à Tua espera, confiante,

Como aquela criança que um dia Te esperou.

Já não te peço a boneca de pano, tão sonhada,

Já não espero o livro da Condessa de Ségur.

Mas sinto este cheiro dos sonhos e canela

Que se solta das lojas da cidade,

Descubro sorrisos verdadeiros

Pendurados em rostos ansiosos,

Pressinto as angústias escondidas

Por detrás de rugas juvenis

E com o atrevimento que já conheces

Peço-te, meu Senhor Menino Deus,

Que me dês um Sinal.

Recordo-te, Menino, que quando

O sapateiro Martinho te pedia

Que o deixasses ver-Te,

Tu lhe prometeste que Te veria, sim.

Dia após dia ele Te esperou

Na sua oficina rebaixada

Por onde via passar a multidão.

E foi assim que, esperando,

Ajudou a viúva e os seus meninos,

Deu a sopa quente ao velho sem família,

E a laranja à criança triste que passou.

E quando, à noite,

Triste e desencantado Te perguntou

Por que não tinha merecido que viesses,

Que lhe respondeste, Deus Menino?

“Martinho, eu estive contigo. Tu viste-me.

Viste-me naquela mãe desesperada,

Viste-me no velhinho que aqueceste,

Viste-me na criança que afagaste.

Era eu, Martinho, sempre eu”.

Martinho compreendeu e aprendeu a ver-Te em cada irmão.

Mas eu, se não me ajudares,

Se não abrires meu coração e os meus olhos,

Esperar-te-ei todos os dias da minha Vida

E talvez até descreia em Ti.

Por isso, meu Menino, abre meu coração e os meus olhos

Para que eu Te veja também em cada Outro,

Porque é assim que quero receber-Te

Quando outra vez nasceres neste Natal.

Não peço nada para mim, Senhor Menino,

Tenho Pão, tenho Calor, tenho o Carinho

De tantos Amigos que me deste.

Quero apenas ser capaz de Te encontrar

Em cada um dos que sofrem e procuram

Um pouco de Paz, Amor e Alegria.

Por quanto tempo, Senhor, hei-de esperar

Para Te descobrir em cada Irmão?

Peço-Te, ao menos, meu Menino,

Que a todos dês, no Dia em que nasces novamente

E em todos os que concederes a cada um,

Um Santo Natal e um Ano Novo Bom.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Bem não vende nem parece interessar a muita gente

O Bem não vende...

Não posso passar sem ler jornais, compro um religiosamente todos os dias, dois ao sábado, dois ao domingo, duas revistas semanais e uma mensal. Já descobri, quase com vergonha, que, quando pelas minhas andanças africanas, o que mais falta me faz são os jornais, nos locais onde não tenho aceso à NET. Porque a família, essa posso sempre contactá-la pelo telefone, claro...

Mas ler os jornais é, cada dia, e cada vez mais, uma autêntica provação. Quero ser informada, mas não leio notícias, porque não m’as dão: leio comentários, opiniões pessoais, julgamentos de factos sobre os quais não nos são fornecidos todos os dados. A pensar nisto, lembrei-me de um episódio que ocorreu no último ano em que dei aulas (2002-2003).

Pedi aos meus alunos que fizessem um pequeno trabalho de casa: que escrevessem, cada um, uma frase idiomática, em inglês, em que entrasse uma cor. Talvez porque não costumo marcar muitos TPC's, a maior parte "esqueceu-se" de o fazer. Uma simples frase! Mas uma aluna das que se sentam à frente, daquelas que, não sendo brilhantes, querem absorver tanto o que o professor diz (falo por mim) que até se inclinam para a frente, como que tentando aprender através dos poros, uma dessas alunas, também não tinha feito o tal TPC que eu achara que os iria interessar muito. Olhei para ela, sem perguntar nada, e ouvi, em voz quase inaudível: "Professora, o que é uma frase idiomática?"

Não me zanguei, apesar de já ter falado não sei quantas vezes em frases idiomáticas, em como é difícil traduzi-las, mas também no colorido que dão às línguas. Então, resolvi fazer uma "revisão da matéria dada" e fiquei um bocado preocupada: é que eles também não sabem, em Português, o que quer dizer "estar verde de inveja", em que situação se diz "ficar vermelho como um tomate" ou "estar mesmo a pedi-las", "pernas para que vos quero", entre outras. E só estou a mencionar as mais simples.

Perguntei-lhes: "Mas o que é que vocês sabem, contem-me lá?" Eles sabiam imensas coisas com que eu nem sonhava, informação via TV, revistas especializadas para jovens, vídeos, jogos de computador, etc. Lá fui eu dar uma vista de olhos aos programas que viam, às revistas que liam, a um vídeo que me emprestaram e só não me arrisquei nos jogos porque sou uma nódoa no assunto... E não me admirei do pouco que sabiam da sua língua. Tudo aquilo era, na maioria, de uma pobreza franciscana em termos de linguagem e de muito mau gosto a nível de conteúdos, na minha opinião. Reparei, contudo, que começavam a falar de coisas que viam nos telejornais e até já liam alguns jornais, mas esses só de acordo com o que vinha na 1ª página.

Entretanto, muitas coisas aconteceram mas tenho agora a certeza de que, continuando a observar a realidade através dos jornais e da TV, pouco de Bem podem aprender. O Bem não vende. Quantas pessoas se entregam a ajudar crianças, a tomar conta de idosos que lhes não são nada, a visitar doentes, a procurar trabalho para desempregados, a ensinar pessoas para que se valorizem? Provavelmente mais dos que os que são pedófilos, que roubam, que corrompem e são corrompidos. E quem fala deles? Ninguém, porque o Bem não vende.

Em toda a parte, a toda a hora, há gente que procura melhorar o Mundo em que vivemos, tentando torná-lo mais humano, mais solidário, mais igual. Organizam-se eventos para actualizar certos sectores profissionais e os meios de comunicação "desconhecem-nos", mesmo que eles atraiam 1000 pessoas, sob a justificação de que há um patrocinador e falar do caso seria fazer publicidade. Mas aquilo que lemos todos os dias, o que vimos e ouvimos não é publicidade ao Mal, aos que vivem desse Mal, aos que se arrogam o direito de "lavar o Mal"? É que o Mal vende, ele sabe encontrar os seus agentes distribuidores. O que aconteceria a um jornal em que predominassem as boas notícias?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Natal do Menino Negro

A propósito da reflexão do Natal, inseri um excerto de um poema que ainda hoje não consigo recordar sem um nó na garganta. Como o Raul parece ter ficado com curiosidade, aproveito para contar a história. Li-a há muitos anos, seguramente há mais de 50, pois sei que ainda era uma garota. Li-a numa edição de Natal do Diário de Luanda ou da Província de Angola, dois jornais importantes à época. Na minha ingenuidade, não guardei nem jornal nem autor. Mas impressionou-me tanto que guardei de memória a parte final do poema.
Contava o poema que uma lavadeira negra levava o seu menino quando ia levar e buscar a roupa dos patrões para quem trabalhava. Na casa havia um garoto da idade do seu, ainda naquela idade inocente sem preconceitos nem barreiras. O menino branco andava afadigado a limpar os sapatos e confidenciou ao menino negro, que se tinha admirado com a sua azáfama, que tinha que limpar bem os sapatos para o Menino Jesus (naquele tempo não havia Pai Natal...) lhe pôr os presentes na noite de Natal. Naquela noite, afinal. Suspirando, o menino negro respondeu que não sabia de nada e, pior ainda, não tinha sapatos para receber os presentes. Solidário, o menino branco foi ao quarto, pegou nuns sapatos mais usados e, depois de pedir autorização à mãe, ofereceu-os ao menino negro.
Este foi todo o caminho para casa a saltitar à volta da mãe, que com os seus problemas e o carrego à cabeça, mal lhe prestava atenção, enquanto ele sonhava com o que havia de pedir a esse Menino Jesus de que tinha acabado de ouvir falar e sobre assunto tão importante: Ele trazia brinquedos às crianças!.
À noite, após o jantar do costume, quando se deitaram na esteira grande, o menino negro não se esqueceu de pôr os sapatos perto da fogueira quase apagada que servia de iluminação na cubata pobre. No dia seguinte, mal acordou lembrou-se imediatamente dos sapatos e muito cheio de esperanças saltou do seu leito. de presentes nem rasto e os sapatos jaziam esturricados no meio das cinzas da fogueira: uma cabra que pertencia aos parcos haveres da família também dormia debaixo de tecto e não tinha resistido a tentar roê-los, acabando por os empurrar para o lume.
Triste mas ainda levemente esperançoso de que se tivesse enganado no dia, esperava certificar-se do engano quando visse que o seu amigo branco também não tinha recebido presentes. Mas a bicicleta sonhada, uma camisa e umas calças, um jogo e um livro eram a prova de que tinha sido mesmo Natal. Triste mas conformado, contou então:
"Menino Jesus não foi no meu cubata
ou com medo que a gente comesse Ele
ou receio talvez que minha pai lhe bata.
Branco é rico, vive felizmente
Mas preto ser mais pobre que ninguém:
está tão coitadinho, tão marmente
que nem um Menino Jesus para ele tem".

Já agora, "marmente" é "malmente", um advérvio de modo que o menino construiu de acordo com a norma.
Durante muitos anos senti este nó pelos meninos negros. Depois, aprendi Latim e o que significa "mutatis mutandis". E comecei a ver muitos meninos que não eram escurinhos (um eufemismo de má consciência...) e que também não tinham Menino Jesus. Nunca.
Com as palavras da única estrofe que guardei pus, penso eu, muitos dos meus meninos-alunos (sempre com mais de 14-15 anos) a pensar. De olhos brilhantes. Muito brilhantes. E que depois traziam de casa brinquedos e roupas para outros. Nunca velhos os brinquedos, nunca rotas ou enxovalhadas as roupas. Que Professora feliz eu fui, graças a Deus!
Então Raul, gostas desta história de um Natal da tua terra? Espero que sim.


O Desafio do Raul para o Natal

O Raul do Sorriso Imenso lançou o desafio, um tão cordial e bonito desafio, que não posso deixar de lhe responder e, seguindo as regras, desafiar outros Amigos. Então, vamos lá abrir um pouco mais o véu do que sou:



1. Eu já... passei Natais tão diferentes que não consigo decidir qual marcar como mais importante. Mas recordo o de 2007, que passei apenas com a minha empregada-Amiga de 29 anos, a Gorete, e em que depois de jantar fomos levar doces natalícios a uma residência universitária onde os estudantes são predominantemente de países de língua portuguesa. Penso que devo informar que, cá em casa, os Natais em família são passados ano sim, ano não, pois os meus filhos também têm os outros pais, os sogros. "Faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti."


2. Eu nunca... pude deixar de recordar, por mais esforços que faça, aquele excerto de poema, cujo autor e data esqueci, que li em adolescente num jornal de Angola: "Menino Jesus não foi no meu cubata/ ou com medo que a gente comesse Ele/ ou receio talvez que minha pai lhe bata./ Branco é rico, vive felizmente/ mas preto ser mais pobre que ninguém/ Está tão coitadinho, tão marmente/ que nem um Jesus pra ele tem." É só mudar as cores, manter as situações, e olhar para o lado: há brancos pretos que não têm um Jesus e vice-versa. "Ama os outros como a ti mesmo".



3. Eu sei... que o Natal é um estado de espírito que tem um gosto e cheiro que só a alma apreende. Mas é também esta luminosidade de sorrisos pendurados no rosto das crianças inocentes e a ansiedade modesta das pessoas que passeiam sonhos e desejos frente às montras sem se amargurarem, felizes de estarem vivos e terem saúde. "Não cobices os bens do próximo, pois não sabes o preço que pagaram por eles."


4. Eu quero... neste Natal, lembrar-me e falar com familiares e amigos com quem ultimamente tenho andado um pouco distante, como o Raul. E fazer mais aquilo que penso. "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje, nem invejes o galo que canta, pois quem te diz que cantará amanhã?"

5. Eu sonho... que os homens serão capazes de lutar e construir, com todas as suas forças e empenho, um MUNDO MELHOR. Não há sonho melhor do que este, também do Raul. Faço-o meu também. "Sonha coisas impossíveis. Elas demoram apenas um pouco mais de tempo do que as difíceis".

6. Eu prometo ... que vou tentar ter pelo menos 12 Natais em 2010, um por cada mês.Afinal, não é monopólio do Poeta dizer que Natal é quando o Homem quiser. "Se eu não acreditar em mim, quem vai acreditar?"


Bato à porta dos seguintes blogues para também os desafiar a falarem um pouco do Natal. Os blogues são:

EXISTENTE INSTANTE

TERREAR

CLAP!CLAP!CLAP!

TEMPO DE TEIA

EMATEJOCA



terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Filha Pródiga

A Parábola do Filho Pródigo sempre fez nascer em mim, desde muito nova, sentimentos contraditórios. Não sabia o que significava "pródigo" e o que li no dicionário não me ajudou a entender. Depois, a revolta do filho mais velho (eu também sou primogénita...) parecia-me, de todo, justificada. Por outro lado, sempre me tinha feito confusão que, nos contos tradicionais, a filha mais velha era sempre má e a mais nova sempre boazinha...
Bem, o facto é que, ainda hoje, bem preciso das sábias explicações de Frei Bento Domingues que, com toda a sua sabedoria, mal consegue convencer-me.
Tudo isto para explicar quanto devo a quem me tem entusiasmado a regressar à sombra desta árvore amiga, a Árvore da Amizade e Compreensão, onde nos encontramos e partilhamos alguns dos dons que recebemos.
Muitas vozes se têm levantado contra os blogues, twitters e facebooks, dizendo, entre outras palermices (para não dizer "alarvices") que são refúgio e reduto de solitários, tímidos, frustrados e cobardes. Engano puro, quase a 100% na minha opinião. Na verdade, não domino ainda o mundo do Facebook e do Twitter, mas mais porque não me quero dispersar.
Bem, estou de volta. Estou de volta para todos, inteira e solidária, mais velha e mais compreensiva, menos paciente talvez. Tive um ano inteiro para me preparar, tive muitas saudades de todos, mas a pulítica (esta é a palavra que escolho propositadamente) incomodou-me a tal ponto, e muito especialmente no que aos Professores diz respeito, que tive de fazer um retiro.
Faltou-me o contacto de todos, faltou-me a partilha, sentia-me emigrada e emigrante. Mas estava a ficar azeda e totalmente sem paciência.
Tenho-me dedicado a estudar Esperanto - não tão afincadamente como deveria- o que me tem chamado ainda mais a atenção para a língua portuguesa. Creio que ela será, neste ciclo que agora começo, o ponto fulcral das minhas escritas. Para reflectir, questionar, interrogar e interrogar-me. Vamos a isto?
PS (salvo seja!): Como estamos no Advento cristão, apetece-me pedir-vos que releiam a última entrada, de 8 de Dezembro de 2008 como se a tivesse escrito hoje. Em todos os sentidos. E ainda mais profundamente sentido. Boas Festas!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A minha Mensagem de Natal

Amigos, não me lembro de, já no dia 8 de Dezembro, ter ouvido dizer tão poucas vezes "BOAS FESTAS!". As lojas estão cheias, os centros comerciais à pinha, mas parece que andamos todos voltados para dentro e não vemos mais nada. Quando me atrevo a dizer Boas Festas! raramente tenho recebido mais do que um olhar rápido e surpreso.
Este ano, na sequência de anos anteriores, os Amigos, aqueles que amo, independentemente do que sentem a meu respeito, vão receber os meus pensamentos sobre eles como presente de Natal. E o que sinto e penso é assim:
Quando os teus ombros vergarem de cansaço,
Eu tomarei o teu carrego com a minha Amizade;

Quando o sono fugir de ti e te deixar a Preocupação por Companhia,
Chama por mim, a tua Amiga,
E eu te cantarei uma canção de Amizade até adormeceres;

Quando deixares de acreditar naquilo de que és capaz,
Eu, a tua Amiga, estarei a teu lado

Para te recordar e ajudar a dar o primeiro passo;
Quando a Tristeza quiser ser a tua Companheira,
Eu, a tua Amiga, a afastarei de ti.
E se tal não for possível,
Ficarei contigo para que a possamos dividir;

Quando o Sol não for suficiente para iluminar o teu dia,
Eu, a tua Amiga, tudo farei para que vejas a luz;

Quando te propuseres um desafio quase impossível,
Conta comigo, a tua Amiga,
Porque estarei ao teu lado incondicionalmente.

Porque, meu Amigo, minha Amiga,
É assim que eu te vejo na minha vida.
Porque, meu Amigo, minha Amiga,
É assim que me sinto na tua vida,
Todos os dias, mesmo quando não estamos no Natal.
Porque, meu Amigo, minha Amiga, afinal,
Só porque tu existes,
Todos os dias, para mim, sabem a Natal.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Desculpem, assim não brinco!

Provavelmente, as palavras que vou escrever vão causar-me inimizades, mas tenho aqui algo entalado na garganta e se não o disser, rebento. Além disso, estou avançada por demais na idade para ter medo de dizer o que penso. E o que penso é que professores e Professores, assim, estão a perder a face. Assim, como?
Olhem, assim, é, por exemplo, o "folclore" de muitos nas manifestações. Nós somos PROFESSORES! Professores têm que ter um porte, uma postura, que os dignifique. Professores não manifestam a sua indignação com versinhos de pé quebrado!
Por outro lado, a muitos falta apresentação! Sim , apresentação. Somos PROFESSORES! Não podemos falar de qualquer maneira! Não devemos apresentar-nos de qualquer maneira!
Concordo a 100% com a recusa deste modelo de avaliação. A 200%, até. Mas NÃO CONCORDO que se espere e se lute para ficar tudo na mesma. Os professores não são todos iguais e cada um de nós o sabe. A curva de Gauss não engana e a nossa própria experiência nos diz de quantos Professores nos lembramos. Cada um de nós sabe avaliar-se? Eu teria tido vergonha de acabar a minha carreira com a mesma classificação de outros colegas, porque sei o que fazia e o que eles faziam. Mesmo assim, reconheço que havia, na minha Escola, Professores, no meu grupo, melhores do que eu, pelo menos uma.
Sabem o que vos digo, Colegas? Lutemos por uma avaliação justa, para nós e para a nossa função - a mais digna, a mais alta: preparar o futuro. Mas deixemos que o nosso trabalho fale por si e não pensemos que poderemos ser todos generais. Aviso que não saí como general... Talvez tenente-coronel...
Talvez as quotas sejam curtas, sim, mas sejamos honestos: há, de facto, maus professores, medíocres, normais, bons, muito bons e excelentes. Como em todas as profissões, não nos iludamos. Portanto, apesar da força dos números da greve, creio que a Ministra, caladinha como está, está a investir na sua posição, enquanto nós, pedindo uma coisa que não estava, até agora, explicitamente a ser tratada, vamos perdendo o nosso capital de simpatia por parte do resto da sociedade.
Como pedi no aragem.blogspot., quem não gostar, diga-o aqui. Obrigada.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Esqueci-me...

Esqueci-me de dizer no poste abaixo que também aprendi que se pode mudar o dia falando com alguém que nem se conhece, no cabeleireiro. Olá, Anabela, Professora de Educação Visual! Coragem!

O que aprendemos simplesmente vivendo

Todos nós recebemos mails de variadas temáticas: anedotas, fotografias, lamechices, textos de índole religiosa, sei lá que mais. Alguns são bem interessantes e é pena, na maior parte das vezes, estarem escritos em brasileiro, língua de que, aliás, muito gosto na forma oral. Hoje, dediquei algum do meu tempo, após as tarefas pesadas de preparação dos locais onde repousam os meus mortos, a “limpar” o correio. Encontrei um texto de há muito tempo (9 de Março de 2003) e que me vou permitir reescrever, usando-o a ele e à minha própria experiência. Creio que vale a pena.

APRENDI
Ao longo da Vida aprendi muitas coisas vivendo, simplesmente. Sem frequentar nenhuma Escola. Vejam o que aprendi:
Que a melhor escola do mundo está nos pés dos mais velhos.
Que quando estamos apaixonados não há forma de evitar que se saiba.
Que mesmo que uma só pessoa me disser "Fizeste-me ganhar o dia!", o meu dia está ganho.

Que adormecer uma criança nos meus braços é uma das maiores sensações de paz do mundo.
Que ser generoso é mais importante do que ter razão.

Que nunca se deve dizer "não" ao presente de uma criança.
Que quando não tenho condições de ajudar uma pessoa, posso, pelo menos, rezar por ela.
Que não importa até ponto a vida me obrigue ser sério, hei-de precisar sempre de um amigo para brincar.
Que, às vezes, tudo o que precisei para continuar foi ter uma mão para segurar e um coração para me entender.
Que os pic-nics que fizemos com os filhos quando eram pequenos fizeram maravilhas na forma como vemos a Natureza.
Que a vida é, muito prosaicamente, como um rolo de papel higiénico: quanto mais perto do fim, mais depressa passa.
Que devemos estar contentes por Deus por não nos ter dado tudo o que pedimos.
Que o dinheiro não compra a elegância nem o bom gosto.

Que são aqueles pequenos acontecimentos diários que fazem a vida tão espectacular.
Que debaixo de qualquer couraça há sempre alguém que precisa de reconhecimento e amor.
Que Deus não fez tudo num dia e que, portanto, não há nenhuma razão para eu julgar que o posso fazer.
Que ignorar os factos não altera a sua importância nem os faz desaparecer.

Que o amor, e não o tempo, cura todas as feridas.
Que a maneira mais fácil de crescer como pessoa é cercar-me de pessoas melhores do que eu.
Que não há melhor forma de receber alguém do que vestir um sorriso verdadeiro.

Que ninguém é perfeito até que eu me apaixone por alguém.
Que as oportunidade que desperdiço não se perdem porque alguém as vai aproveitar.
Que quando se cultiva a tristeza, a felicidade vai bater a outra porta.
Que gostaria de ter dito mais vezes a muitas pessoas que as amava e só o descobri quando elas já tinham partido.
Que se deve usar palavras suaves e macias porque, talvez um dia as tenhamos que engolir.
Que um sorriso é a forma mais barata de se melhorar o visual.
Que não há ninguém mais fortemente sedutor do que um bebé quando segura o nosso dedo na sua mãozinha.

Parecem lamechices também? Pois pareçam! O facto é estas são verdades que também eu aprendi com a Vida!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

De Deus, da Igreja, de nós, Homens e Mulheres

Este poste de hoje é um risco que vou correr e faço-o depois de ler um poste de uma Colega, Pessoa de Bem e que, como tal, tem o direito de pensar pela cabeça dela. Vou falar do que menciono em título mas desde já aviso que só vou dar a minha opinião pessoal. Portanto, que ninguém se ofenda, pois o meu objectivo é acalmar as pessoas que se sentem frustradas, tentar transmitir a Paz que Deus me dá.
Vou começar pela Igreja. A Igreja foi criada pelos homens, e é, portanto, o seu reflexo, com coisas boas e más. Não se pode admitir o que, ao longo da História, se fez em nome Deus e com o beneplácito claro ou tácito da Igreja: as Cruzadas, a Inquisição, a missionação de tantos povos, feita através de muito sofrimento e maldade. “Em nome de Deus te mato”, que enorme sacrilégio!
Mas não estou só a falar da Igreja Católica, refiro-me, claro, a todas as igrejas. Nos locais mais recônditos da Terra, em todos os estádios civilizacionais, adorando um Deus diferente mas sempre um Deus, os que se reclamam da intimidade com o divino não raro a têm usado para causar o Mal e o Sofrimento.
Bem, agora a Igreja Católica. Parece a que prevalece em Portugal. Não acredito: a maior parte dos que se dizem católicos só procuram a igreja (edifício e instituição) três vezes na vida e mesmo assim só uma vez vão por vontade própria: para o casamento. De resto, são levados para cumprir a tradição e serem baptizados e são levados quando morrem, por tradição e “por causa do que não se sabe...” Vale mais prevenir do que remediar.
Ora não há dúvida que o clero precisa de se actualizar. Afinal, tudo mudou e não podemos encarar as pessoas e as coisas com olhos velhos. Mas com uma ressalva, que é convicção minha: Deus é O que é, sempre, não muda no Seu Amor por nós e ponto final! Agora, os seus servidores, os padres, são humanos, coitados: podem ser pouco generosos, pouco humildes, pouco modestos, pouco competentes em relações humanas. Podem ser tudo o que os outros homens são. Não deveriam, mas podem sê-lo. E o único juiz que vejo como adequado e competente para os julgar será Deus e não nós.
Por exemplo, se eu fosse agnóstica ou ateia e recebesse uma carta a pedir-me que contribuísse para a sustentação do clero, mesmo que escrita de acordo com as normas de uma correspondência normal, sem acusações implícitas ou explícitas, eu responderia ao sacerdote a comunicar-lhe a minha posição perante o culto e solicitaria que, tendo tal informação em conta, agradecia que não me voltasse a contactar para o efeito. Se recebesse a carta que a Anabela recebeu, eu faria tudo isso mas acrescentaria, com muita caridade, a minha opinião de que não me parecia generoso estar a exigir explicações e muito menos a prestar “com modéstia e humildade”…
Mas, sendo católica, reconheço a importância do sacerdote e se quero que ele se entregue à sua missão em exclusividade, então é minha obrigação moral contribuir para o seu sustento e para ter um nível de vida no mínimo decente. Só isso me dá direito a esperar que ele esteja disponível para me ouvir, para se preparar para ser um bom sacerdote, para se actualizar. E para ajudar aqueles que não o podem sustentar. Ou então NÃO DIGO QUE SOU CATÓLICA. Mais: há muitas coisas que não sabemos (e nem é obrigatório que saibamos) sobre o destino que os padres dão aos emolumentos que recebem. Posso garantir.
Agora, falemos de Deus e dos Homens e Mulheres. São cada vez mais os que dizem não crer em Deus, não acreditar em Deus. São também cada vez mais aqueles que O procuram por caminhos variados. Aceito no meu coração uns e outros, sem a mais leve censura, que seria falta de Amor. Mas sinto-me tão feliz por acreditar! Que bom é acreditar neste Deus Bom, todo Amor, que me conhece desde o princípio de tudo, que sabe quantos são os cabelos da minha cabeça, que me dá inteira liberdade para viver e que espera que eu aja de maneira a que Ele não se envergonhe de mim! Que bom é conhecer este Deus que perdoa sempre, que lê no mais profundo da minha alma imortal, que me dá Consolo nas dores e Esperança quando todos os caminhos se parecem fechar para mim!
Posto isto, terminemos com a frase um tanto enigmática de Cristo: “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus” ou “ A côngrua ao Padre que a merece e os impostos às Finanças…”

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Coitadita de mim...!

Sim, coitadita de mim, que sou uma pessoa sem nada de especial e que recebe, por certo imerecidamente, tanto carinho de todos os que aqui vêm visitar-me. Não ando fugida, não: apenas ocupada em outras lides e sem ter todo o tempo de que dispunha para blogar à vontade...
Quero aqui responder a todos, dizendo que continuo lúcida (até os loucos se julgam lúcidos, por isso esta recomendação não faz muito sentido...) na apreciação do que se passa à minha volta, que sinto uma enorme preocupação com a situação actual, que me custa não ver dirigentes à altura, capazes de mobilizarem os Portugueses para o trabalho, a auto-estima bem orientada, o respeito próprio. E mais do que um, porque nós somos todos diversos. Farta de cantar a uma só voz devemos estar todos.
Olho à minha volta e fico zangada comigo: a minha primeira tentação é criticar. Ora eu não nasci para dizer mal, valha-me Deus! Mas o que é que vejo? Ontem fui a uma empresa de comunicação para simplesmente formatar a internet portátil numa pen em vez da placa que tinha. Na loja onde me apresentei, uma entre milhares das que agora pululam, especialmente nos centros comerciais, estavam sete (!) funcionários, três meninas e quatro meninos. Loja vazia. Não senhora, não faziam aquele trabalho. Só na loja técnica. Ali só se vendia. E na loja técnica só com hora marcada. Disposta a mudar de operadora se, pelo menos, não fosse bem atendida, lá fui à loja técnica com hora marcada. E apareceu-me um jovem simpático, que descomplicou aquele trabalho todo, que mostrou uma disponibilidade e uma simpatia inexcedíveis, que fez o que lhe pedi e o que não pedi, com um sorriso e uma forma de trabalhar que me puseram de bem com o mundo. E mais, sem ele o dizer abertamente, fiquei a saber que aquela operação poderia muito facilmente ter sido realizada por qualquer um daqueles "sábios" que estavam a fazer que faziam alguma coisa...
Como sabem, também sou Formadora. Privilegio a área das Relações Humanas. Pois um dia destes descobri que muita da formação que agora é dada de pacotilha aos novos exércitos de jovens que são necessários para alimentar esta economia de faz-de-conta, em que nada se produz e tudo se "serve", é baseada na teoria de que "distância é que é preciso. O cliente é chato (sic), exigente"!
Coisas boas para dizer: há um Professor chamado António que conquistou um aluno rebelde e o tem na mão! Com o recurso ao e-mail!
A "minha" oliveira que veio de Israel e que os alunos do Raul plantaram comigo no Colégio dos Carvalhos está radiosa!
Esta bela notícia foi-me transmitida por texto de uma aluna!
O meu neto mais velho está a subir as classificações de teste para teste e tem uma namorada que o "ajuda" a ser mais responsável!
Os meus dois outros netos, irmãos, continuam óptimos alunos!
O Pai deles, meu Filho, não desiste de pregar aos peixes e de mostrar o que se pode fazer para não nos afundarmos na recessão!
E as minhas palavras voltaram a ser jovens, limpas, renovadas!




quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Em tempo de crise... quanto menos se falar melhor

Na entrada deste blogue tenho-me situado entre o Porto e algures em Angola e Moçambique. Agora, para ser mais verdadeira, deverei dizer que me situo algures entre o Porto, Lisboa, Angola e Moçambique, embora por este ano de 2008 me deva circunscrever às duas cidades portuguesas.
Tenho andado calada, por várias razões: tenho novas responsabilidades na minha vida pessoal, tenho tido tarefas para cumprir aqui em Portugal ligadas às minhas actividades africanas, tenho naturais preocupações com a crise financeira (tenho filhos e netos e, por eles, temo o futuro), tenho andado à espera que assente a poeira docente.
Sim, sinto que está muita poeira levantada, e quando tal acontece sem ter uma causa natural (um vendaval, por exemplo), normalmente é para obscurecer qualquer coisa que não interessa que se veja. A senhora ministra dá entrevistas e continua a mostrar que tem os Professores em pouca conta. Alguns professores resolvem dar-lhe razão e fazem gala de mostrar em público atitudes que não os recomendam para a docência.
Fico incomodada quando os professores se expõem de forma menos própria, pois sinto que os melhores, os Professores, acabam por ser penalizados na opinião pública. E tal é injusto. Não acredito, há séculos, nos sindicalistas que não dão aulas, que se preocupam com as "carreiras" mas não com o trabalho dos Professores, sobretudo os mais jovens, nas escolas periféricas. Comecei ontem a ler "A Turma", e quase não consigo parar de ler, mas acabo por sentir que estou apenas a rever os martírios por que passou a Rosinha numa Escola dos arredores lisboetas, sem nunca ter tido o apoio de ninguém, dos colegas mais velhos ao sindicato, dos directores de turma ao Conselho Executivo.
A Rosinha (nome fictício de uma pessoa real) teve a sorte de, logo a seguir, ter sido colocada numa Escola do Porto. Logo no primeiro dia de aulas houve queixas dos alunos junto da direccão. No dia seguinte, eram os pais. A Rosinha apresentava-se vestida de preto, com uns óculos de aros pretos, feios, com o cabelo apertado num rabo de cavalo. Logo na apresentação disse aos alunos que não estava interessada em que gostassem dela. Ela estava ali para ensinar Inglês e não para gostar ou para que gostassem dela. Estranho, no mínimo.
As coisas poderiam ter tomado o caminho natural destas situações: inquérito, chamada ao C.E., palmadinhas nas costas aos pais e aos alunos, mas aquele C.E. n ão agiu assim. Um dos seus membros convidou a Rosinha para almoçar em sua casa, pediu-lhe que tirasse os óculos, que soltasse o cabelo e viu que estava perante uma jovem e bela Professora assustada. Os óculos não tinham graduação. A Rosinha contou todas as suas ilusões desfeitas, a vontade de encontrar outra actividade, o abandono em que se encontrava depois de um ano em que tinha sido sujeita às provas mais difíceis e ofensivas junto de alunos a roçar a marginalidade. E recebeu a certeza de que ali, naquela Escola, ela poderia gostar dos Alunos e deixar que eles gostassem dela. Ela poderia apresentar-se com o era, com a certeza de que não seria incomodada com piropos torpes. Ela poderia acreditar que, se fosse preciso, receberia a ajuda necessária. Hoje, é uma PROFESSORA sem medos, confiante.
Será que ela pensa que está tudo bem na Escola? Não. Ela sabe que não está. Mas sabe que pode ajudar a melhorar.
Os docentes tiveram que receber formação por causa do computador Magalhães. Avaliaram essa formação como inadequada, mal preparada, sem ligação aos objectivos que se pretendiam atingir. Que fizeram? Eu não gostei de os ver a fazer figuras ridículas. O que eu teria feito seria não só rebelar-me contra essa formação mas ainda explicitar muito claramente junto de quem de direito por que não estava de acordo com ela. Tudo o resto me faz lembrar a teoria do "quanto pior, melhor".
Também não tive ainda o gosto de ver Professores e Pais a manifestarem a sua preocupação por se entregarem computadores a mãozinhas que deveriam treinar a motricidade fina a pegar no lápis e desenhar letras. O computador no 1º ano? Só como brinquedo. E se se pode aprender a brincar, não será certamente com o computador.
Sei que há muitas razões de queixa contra a avaliação. Mas aquela que tenho mais mencionada ultimamente é a da papelada burocrática. E quem aparece mais papista do que o papa na situação? Muitas Direcções das Escolas.
Espero que a Anabela, a Teresa (da Teia), o Raul, o Existente Instante, o Cumpadre Besberto, o Clap, a Fátima, a Paula, o Zé, o Luís, em nome de todos os que não conheço, me compreendam. Sei o sacrifício que fazem todos os dias, sei como dedicam todo o seu tempo aos Alunos (o que não quer obrigatoriamente dizer escola), sei como chegam cansados ao fim do dia, mas também sei como resistem à tentação de deixar de serem o que sempre foram: excelentes Professores! Mesmo que a famosa curva de Gauss não contemple tantos excelentes...
Quanto à crise, continuamos a viver alegremente acima das nossas posses. Tudo porque "esta vida são dois dias e quem vier atrás que feche a porta"...