A Língua Portuguesa é mais do que a minha Pátria: é o meu orgulho! É bela, é cantante, é rica, é volúvel. A Língua Portuguesa é Mulher! Por isso tudo, que nada é, e pelo não dito, fico muito triste quando vejo as maldades que lhe fazem. Fico arrepiada quando vejo "concerteza", porque nunca vi ninguém escrever "semcerteza". Fico furiosa quando separam o sujeito e o predicado um do outro com uma vírgula. Fico com pena, garanto, quando se esquecem de que antes do vocativo ela, a vírgula, também é precisa. E passo a vida a limpar as lágrimas das preposições esquecidas, retiradas de junto dos seus verbos queridos. Ai, As coisas de que eu gosto na minha Língua! Mas, repito, não gosto nada daquilo que lhe fazemos como falantes e como Povo. Já repararam que não usamos o futuro? Parece que queremos o futuro, aqui, já, sem trabalho nem construção e dizemos "amanhã vou à Praça da Liberdade". E também, por preguiça, por ignorância, deixámos há muito de usar o condicional (que eu recuso-me a chamar-lhe outro nome). Vamos contra toda a lógica gramatical e dizemos (eu não digo, por teimosia): "Se me saísse o Euromilhões comprava uma casa em Espanha."
Comprava? Mas "comprava" não é pretérito imperfeito? E não me venha para cá a Dra. Edite Estrela falar no condicional de politesse, como a ouvi dizer, uma vez, num programa televisivo!
Depois, de vez em quando, mudam as designações. E nem sequer estou a falar do famoso TLEBS! Bem, mas na prática, o que me incomoda é que os nossos alunos aprendem línguas. Em que se usa o futuro e o condicional. Há funções da linguagem, em inglês, por exemplo, que exigem o futuro: "I'll love you forever!" (Gosto de coisas positivas...) e outras que exigem o condicional: "Would you like going to te beach?"
Estes exemplos são minimalistas se nos lembrarmos das situações em que deveríamos usar o futuro e o condicional e são o fazemos.
Será que, pessimisticamente, poderei dizer que o Português não tem Futuro e que, mesmo assim, não aceita condições?...