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terça-feira, 20 de maio de 2008

Carta ao Menino Jesus...aos soluços (3º Soluço)


Menino Jesus, lá estive a ouvir a pequena, são coisas de coração jovem, penso que a nossa conversa de pé de embondeiro a ajudou. Obrigada por me teres mandado o Espírito Santo. Mas, continuando, chegou a altura de Te pedir que nos dês mais capacidades intelectuais. É urgente, porque parece que somos quase todos um tanto apoucados. Pelo menos a Português e a Matemática. A não ser assim, de quem é a culpa? Entretanto, deixa-me interromper esta lista de pedidos para te agradecer o que inspiraste ao Dr. Nuno Crato quando ele disse que nós não somos menos capazes mas que temos uma grande tendência de seguidismo para modernices pedagógicas que não dão em nada. Também achei que ele tinha razão ao dizer que é, principalmente, a incapacidade de saber falar, ler escrever e interpretar Português que causa as desgraças da Matemática. Eu sei que o senhor causa engulhos a muita gente, mas, na minha, acho que ele neste caso tem razão.
Portanto, apesar de saber que estou a pedir muito, atrevo-me a mais isto: dá-nos uma boa Ministra da Educação, sensata, que saiba ouvir e que não desconfie praticamente de todos os professores. Como pode alguém amar uma obra e desprezar os operários? Dá-nos, meu Menino, Professores competentes e, se possível, “fascinantes”. Se quiseres ver qual é a diferença, dá uma vista de olhos às aulas e aos bloguistas da minha caixinha de Afectos. Aí, no que diz respeito a bons Professores, Tu, Divino Mestre, sabes bem que não basta saber: é preciso amar o que se faz, ter entusiasmo (ter Deus dentro de si, que é o que quer dizer, etimologicamente, diziam os gregos). Não é para qualquer um. Sabes, às vezes, reflectindo na Tua Vida e nos Teus amigos, acho que os professores precisavam de ter a impulsividade de Pedro, o Amor de João e o pragmatismo de Paulo. Que achas? Terei razão? Além disso, temos uma língua maravilhosa e destruímo-la sempre que podemos. As orações que os homens compuseram para te louvar, Senhor, são mais belas em Português, mas se não pões mão nele, um dia destes começamos o Pai-Nosso com um ”É assim” e terminamos com um “prontos”, em vez de “Amém”.
Voltemos aos portugueses em geral. Olha que até parece má-vontade de Teu Pai, a Primeira Pessoa da Santíssima Trindade! Deu-nos um Portugal lindo (embora nós tenhamos feito os possíveis para o tornar feio, na maior parte dos casos onde metemos as mãos), deu-nos um clima fantástico, mas achou que já era o suficiente e esqueceu-se do Povo. Nascemos um bocado cansados, duvidamos antes de vermos e acreditamos em coisas que nem podemos garantir que existam. Olha, já que estou a pedir, então dá trabalho aos desempregados e vontade de trabalhar a todos, torna os empresários mais socialmente envolvidos, inspira-os a fazerem os seus negócios com rectidão. E não te esqueças de uma habilidadezinha que faça fechar as fábricas de armamento e outra que dê um enjoo natural e eficaz pelo tabaco. Tens é que pensar numa alternativa para quem fica sem trabalho, mas haverá impossíveis para Ti?
Acho que a lista vai longa e está na hora de acabar. Posso pedir mais uma coisinha? Senhor, mata a Fome do Mundo. Toda a Fome. Primeiro, a fome-fome. Depois a fome que o homem tem do Bem, tantas vezes sem o saber. A fome de Amor, a fome de Saber, a fome do Belo, a fome da Alegria, a Fome de Ti. Amem.
Desculpa o atrevimento, mas eu confio no Teu Perdão. Tua, Carmo

Carta ao Menino Jesus ... aos soluços (2º Soluço)

O que precisamos de Ti, de Ti que conheces os nossos mais íntimos pensamentos, que tens contados até os cabelos da nossa cabeça, que nos perdoas ainda antes de termos pecado, tão grande é o Teu Amor, é explicar-nos que o Amor é algo tão belo e tão perfeito que não se pode avaliar com dinheiro. Aliás, não há dinheiro que compre o Amor. Mas seria o Amor pela coisa pública que nos daria bons e verdadeiros políticos e governantes e não esta gentinha que só pensa em si própria. E nem a si ama, ou pelo menos é o que parece pelas figuras tristes que fazem, pelo ridículo a que se prestam. Dá-nos, pois, bons governantes. O Amor terminaria com a solidão dos velhos, pobres e doentes. O Amor não permitiria que se fizesse humor com o sofrimento e a deficiência. O Amor evitaria que fosse preciso haver Casas Pias ou Casa do Gaiato. O Amor acabaria com palavras como “guerra” e “fome”.
O Amor pela Verdade não poria o Natal a começar em Outubro, como se tivesses sido um impaciente prematuro. Porque nasces inteiro todos os dias, sempre que nós agimos como Tu o farias. Bem, mas agora, em Teu nome, ainda fico mais ofendida quando querem fazer de Ti um prematuro. É que, por estes tempos, até os verdadeiros prematuros terão vergonha de o ser. Para ninguém pensar que eles também fazem parte de uma famosa metáfora. Além disso, também te matam antes do tempo. Até a Páscoa, a Passagem da Tua vida terrena, através da Morte, para a Ressurreição, qualquer dia estamos a vender ao quilo, como amêndoas e pão-de-ló e ainda mais os ovos de chocolate, porque somos muito bons a aprender coisinhas assim, que não interessam “nem ao Menino Jesus”, como a gente diz, invocando o Teu nome em vão.
Senhor, faz-nos aprender o valor do Tempo, a usar o Tempo, a dar Tempo ao Tempo. É uma das maiores graças que nos podes dar. Jesus, Tu que discutias com tanto tino e profundidade aos 12 anos, com os estupefactos doutores da Lei, não tens à mão um pouco de sensatez para distribuir pelos nossos doutores de agora, de leis e de outras coisas? A sensatez também é uma forma de Amor, muito necessária em outras circunstâncias. Por exemplo: já viste como é que os portugueses estão endividados? E como continuam a endividar-se alegremente? E não achas, Senhor, uma traição social que os senhores do dinheiro recorram a tantas formas sedutoras para tentarem os pobres portugueses, levando-os a querer mais e sempre mais?
Agora, um aspecto melindroso. Nem sei bem como Te hei-de falar disto. Bem, o melhor é ir a direito e dizer claramente a que me quero referir: a sexualidade. Meu Jesus, a questão põe-se e só queria pedir-Te que pusesses um pouquinho de pudor na cabeça das pessoas. Não confundas, por favor, este pedido com qualquer intenção, da minha parte, de estar do lado dos que defendem “vícios privados, públicas virtudes”. Sei quanto abominas a hipocrisia, talvez o pecado que mais Te magoe. Mas, Senhor, um pouco mais de vergonha, menos exibicionismo, mais castidade verdadeira, tudo isso deveria, certamente, transformar-se num Amor mais amplo, que a todos envolveria sem ninguém excluir. E protege os pequeninos, Senhor, porque parece não haver quem os guarde nem ensine para o verdadeiro afecto.
(Agora, imagina, é alguém que diz que precisa de me falar em particular. Já marcou duas vezes hora e duas vezes faltou, mas não é preciso perdoar setenta vezes sete?)