Antes de falar nas "Lições", deixem-me agradecer todos os comentários e palavras tão amigas e simpáticas que foram deixando enquanto eu preguiçava. Acontece que, como venho repetindo, custa-me não ter coisas bonitas, positivas, para falar delas. Mas acontece também que, só agora, finalmente, vi algo que me agradou imenso e quero partilhá-lo convosco.
Tudo porque o meu novo fornecedor de TV por cabo inclui a TV Globo e ainda ando por ali a ver quantos canais tenho, o que apresentam, etc. Por motivos que não vêm agora ao caso, tenho tido insónias e só adormeço tarde. Mas continuo a acordar cedo...
Ora, já percebi que o sono é essencial e, por isso, de manhã. pelas seis, sete horas, ligo o aparelho que está no meu quarto para um canal onde haja notícias em Português. E a meia voz... Normalmente traz-me o sono de volta. Pois nestes últimos dias, a essas horas matinais, tenho encontrado um belíssimo programa, muito bem feito, a ensinar Português. No Brasil. E não é Português de favela nem de telenovela de prime-time. É bom Português! Os exemplos, as explicações, os actores, as sequências, tudo do melhor. E vai-me aquecendo a alma não ouvir "Vêjamos, póssamos, deiamos, sêjamos, etc".
As preposições pedidas por alguns verbos aparecem inseridas em contextos naturais, adequados. Enfim, um regalo para os meus ouvidos exigentes. Um programa como nunca vi na nossa TV, nem sequer naquele que passou há relativamente pouco tempo com o Diogo Infante. O actual "Bom Português" da RTP1 da manhã é quase 99 por cento baseado em ortografia. Importante, sim, mas que pobreza! Quando será que aparece um programa como o brasileiro? Com explicação dos conectores? Com frases bem estruturadas? Com exercícios de pontuação?
Enquanto não vem, aproveito para dizer que o meu pé direito, com os seus parafusos, placa e prego, está recuperado a uns 95%, o que é muito bom na minha provecta idade. No entanto, a meta a atingir, são os 100%, claro. E vamos vencer. A Vanessa, o Nelson e eu: três medalhas!
Viva Portugal!
PS: Já me ofereci ao Comité Olímpico para ensinar "a estar" e boas maneiras para participantes em futuras Olimpíadas. Graciosamente. Aguardo resposta...
Mostrar mensagens com a etiqueta A Língua Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta A Língua Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
Se é dia de Portugal, vamos falar Português!
À e Há
As palavras à e há fazem um apelo a todos os falantes da língua portuguesa para que parem de os maltratar como tem sido feito estes últimos tempos!
APELO DO À
Olá, eu sou o à. Sou a contracção da preposição a e do artigo definido a, ou seja, a+a dá um à mais carregado. O meu acento é assim: à . Gosto de usar este boné conservador, detesto usar o boné à surfista… Os meus melhores amigos são substantivos e pronomes. Costumo vir em frases como: Vou à escola.
Não à avaliação normalista!
Não às aulas moribundas!
Não tenho nada a ver com o tempo… esse pelouro é do há. Por favor, não me confundam com aquele tipo que tem medo de estar sozinho e que precisa de um h para o proteger!
Não tenho nada a ver com o tempo… esse pelouro é do há. Por favor, não me confundam com aquele tipo que tem medo de estar sozinho e que precisa de um h para o proteger!
APELO DO HÁ
Olá, eu sou o há. Pertenço ao verbo haver e ando sempre aborrecido porque se estão sempre a esquecer de mim… Apresento-me então: sou a 3ª pessoa do singular do verbo haver no presente do indicativo. Dou-me muito bem com o tempo (duração, não o tempo de sol e chuva!):
Há bocado,
há dias,
há 1 hora,…
Mas também em frases como esta:
Há duas bananas na fruteira.
Há gente capaz de tudo.
Há muitas maneiras de matar pulgas...
Por favor, não me confundam com aquele tipo do boné!
Podemos dar uma ajudinha para não nos confundirem?
Uma maneira fácil de distinguir se é há ou à é substituir o «há» por «existe» ou «existem”: Há estudantes que procuram saber mais. = Existem estudantes que procuram saber mais.
Há é a terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo haver. O à, por sua vez, é a contracção da preposição a com o artigo definido feminino (a + a), que se fundiram numa só palavra. Esta fusão é assinalada, como em todas as contracções semelhantes, pelo acento grave (`).
Uma maneira fácil de distinguir se é há ou à é substituir o «há» por «existe» ou «existem”: Há estudantes que procuram saber mais. = Existem estudantes que procuram saber mais.
Há é a terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo haver. O à, por sua vez, é a contracção da preposição a com o artigo definido feminino (a + a), que se fundiram numa só palavra. Esta fusão é assinalada, como em todas as contracções semelhantes, pelo acento grave (`).
A Andreia vai à piscina todos os fins-de-semana, mas há duas semanas que não a vejo por lá.
Etiquetas:
A Língua Portuguesa,
há e à,
verbo haver
sábado, 3 de maio de 2008
PUDOR
Há um sentimento que se chama PUDOR. Esta palavra tem sofrido umas mudanças ao longo da História mas para mim continua a ser muito importante. Não estou preocupada, quando falo em Pudor, com a muita ou pouca roupa que as pessoas põem a cobrir o corpo. É secundário. O Pudor que me interessa é outro. Hoje fui cumprir o meu fado de compradora compulsiva de livros à FNAC e, lá bem à vista, estava com o seu ainda erro de ortografia, uma obra de que o Prof. Malaca Casteleiro é co-autor. Lembrei-me de como o barco do Poema de António Nobre era tão bonito com o seu erro de ortografia, mas aquele ATUAL, designação principal da obra, chocou-me. Não achei bonito. Que me desculpe o Professor e o seu co-autor, mas além da falta do c senti falta de Pudor. O senhor tem andado há anos embrenhado nos meandros do Acordo Ortográfico. Que não vou discutir aqui, porque não tem discussão. Não é a ortografia que separa o nosso Português da língua que se fala no Brasil. Mas como já sei que outros valores menos altos se alevantam e chegam onde querem, dispenso-me de esgrimir evidências e reservo as minhas energias para tentar falar bem o meu Português.
Mas, sinceramente, não gostei da sua atitude. Acha bem? Faça um exame de consciência: sente-se tranquilo, à vontade? Não luta um pouco consigo mesmo, à noite, quando se deita? Quem me coíbe de pensar que a sua tão intensa defesa do Acordo tem como um dos objectivos a venda do seu livro? O pensamento é livre, não é verdade?
Um dia destes, ou antes, uma noite destas, num dos debates por causa da liderança do PSD (vivi tantos anos sem saber o que era liderança! E depois, um dia, começam a dizer-me que tenho espírito de liderança e que isso era bom, blá, bla…), ouvi alguém dizer que “era uma certa falta de pudor o candidato X ter (ou ir ter) como mandatário Y”. O capital crime parecia ser a circunstância de Y ser filho de W, que tinha deixado o lugar a que X agora aspirava… Parecia que X estava a pedir batatinhas a W, se me entende…
Pois olhe, hoje, ao olhar para o ATUAL, senti que havia ali muito mais razão para sentir Pudor do que no caso de quem era pai do mandatário Y!
Não gosto de ser injusta (sou Balança, sabe?) nem lhe estou a pedir explicações. Aliás, tenho a certeza de que esta minha reflexão não se vai encontrar no seu caminho. Mas julgo que ainda tenho o direito de pensar. Sabe, eu não seria capaz de fazer uma coisa dessas. A única coisa que lhe serve de atenuante é que se identificou. Porque muitos fazem o mesmo mas escondem-se por detrás de outro nome.
Só mais uma coisita: um Professor ainda deveria ter mais Pudor e não fazer estas coisas.
Sem ofensa.
Mas, sinceramente, não gostei da sua atitude. Acha bem? Faça um exame de consciência: sente-se tranquilo, à vontade? Não luta um pouco consigo mesmo, à noite, quando se deita? Quem me coíbe de pensar que a sua tão intensa defesa do Acordo tem como um dos objectivos a venda do seu livro? O pensamento é livre, não é verdade?
Um dia destes, ou antes, uma noite destas, num dos debates por causa da liderança do PSD (vivi tantos anos sem saber o que era liderança! E depois, um dia, começam a dizer-me que tenho espírito de liderança e que isso era bom, blá, bla…), ouvi alguém dizer que “era uma certa falta de pudor o candidato X ter (ou ir ter) como mandatário Y”. O capital crime parecia ser a circunstância de Y ser filho de W, que tinha deixado o lugar a que X agora aspirava… Parecia que X estava a pedir batatinhas a W, se me entende…
Pois olhe, hoje, ao olhar para o ATUAL, senti que havia ali muito mais razão para sentir Pudor do que no caso de quem era pai do mandatário Y!
Não gosto de ser injusta (sou Balança, sabe?) nem lhe estou a pedir explicações. Aliás, tenho a certeza de que esta minha reflexão não se vai encontrar no seu caminho. Mas julgo que ainda tenho o direito de pensar. Sabe, eu não seria capaz de fazer uma coisa dessas. A única coisa que lhe serve de atenuante é que se identificou. Porque muitos fazem o mesmo mas escondem-se por detrás de outro nome.
Só mais uma coisita: um Professor ainda deveria ter mais Pudor e não fazer estas coisas.
Sem ofensa.
Etiquetas:
A Língua Portuguesa,
Pudor,
Valores
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Futuros e condicionais
A Língua Portuguesa é mais do que a minha Pátria: é o meu orgulho! É bela, é cantante, é rica, é volúvel. A Língua Portuguesa é Mulher! Por isso tudo, que nada é, e pelo não dito, fico muito triste quando vejo as maldades que lhe fazem. Fico arrepiada quando vejo "concerteza", porque nunca vi ninguém escrever "semcerteza". Fico furiosa quando separam o sujeito e o predicado um do outro com uma vírgula. Fico com pena, garanto, quando se esquecem de que antes do vocativo ela, a vírgula, também é precisa. E passo a vida a limpar as lágrimas das preposições esquecidas, retiradas de junto dos seus verbos queridos. Ai, As coisas de que eu gosto na minha Língua! Mas, repito, não gosto nada daquilo que lhe fazemos como falantes e como Povo. Já repararam que não usamos o futuro? Parece que queremos o futuro, aqui, já, sem trabalho nem construção e dizemos "amanhã vou à Praça da Liberdade". E também, por preguiça, por ignorância, deixámos há muito de usar o condicional (que eu recuso-me a chamar-lhe outro nome). Vamos contra toda a lógica gramatical e dizemos (eu não digo, por teimosia): "Se me saísse o Euromilhões comprava uma casa em Espanha."
Comprava? Mas "comprava" não é pretérito imperfeito? E não me venha para cá a Dra. Edite Estrela falar no condicional de politesse, como a ouvi dizer, uma vez, num programa televisivo!
Depois, de vez em quando, mudam as designações. E nem sequer estou a falar do famoso TLEBS! Bem, mas na prática, o que me incomoda é que os nossos alunos aprendem línguas. Em que se usa o futuro e o condicional. Há funções da linguagem, em inglês, por exemplo, que exigem o futuro: "I'll love you forever!" (Gosto de coisas positivas...) e outras que exigem o condicional: "Would you like going to te beach?"
Estes exemplos são minimalistas se nos lembrarmos das situações em que deveríamos usar o futuro e o condicional e são o fazemos.
Será que, pessimisticamente, poderei dizer que o Português não tem Futuro e que, mesmo assim, não aceita condições?...
Etiquetas:
A Língua Portuguesa,
Condicional,
Futuro,
Português
Subscrever:
Mensagens (Atom)