sexta-feira, 25 de julho de 2008

Não matem a Cotovia ou O que é a Coragem?


Jem, o filho mais velho do Dr. Atticus Finch está a entrar na adolescência e tem uma certa "vergonha" do Pai porque, tendo casado tarde, não partilha com o filho muitas brincadeiras: cansa-se a jogar a bola, não pode subir a árvores, etc. Numa tarde de Verão aparece na rua um cão com raiva e, com grande espanto de Jem e de Scout, a filha, todos imediatamente se lembram de ir ao seu consultório buscá-lo, porque sabem que ele é o único capaz de matar o animal, misericordiosamente, com um só tiro. Então Jem pensa que afinal o Pai é um homem de coragem por possuir essa capacidade. Vou transcrever o diálogo entre Pai e filho sobre o que é a Coragem. A conversa decorre depois de ele ter sido chamado a casa de Mrs Dubose, uma senhora à antiga que sofria tantas dores que era obrigada a tomar morfina, receitada pelo médico, e que acabara de morrer. Mas quis morrer livre dessa prisão e sofreu horrores quando deixou, por sua livre vontade, de a tomar. Nesses momentos de sofrimento pela falta da droga - creio que se chama síndrome de abstinência - Jem, de castigo (não vou contar a história toda aqui...) lia-lhe um livro. Entretanto, mais uma vez os meus olhos se iluminaram ao ver aquele que sempre considerei o meu Actor preferido...

- O que é que ela queria? - perguntou Jem.
- Ela morreu, filho. Faleceu há alguns minutos.
- Oh, -murmurou Jem - Bem...
- Bem, exactamente - comcordou Atticus. - Já deixou de sofrer. Esteve doente durante muito tempo. Filho, não sabes o que eram aqueles ataques? - Jem abanou a cabeça - Mrs Dubose era viciada em morfina. Tomava-a como analgésico. O médico dela é que lha receitara. Ela teria de viver o resto da vida dependente da droga e morreria sem muitas dores, mas era demasiado caprichosa... Mrs Dubose disse-me que queria libertar-se do vício antes de morrer e foi isso que fez.
- Queres dizer que os ataques dela eram por causa disso? perguntou Jem.
-Sim, eram por causa disso. Durante a maior parte do tempo em que lias duvido que ela ouvisse uma palavra do que dizias. A sua mente e o seu corpo estavam concentrados naquele despertador.
- Ela morreu livre? perguntou Jem.
- Como o ar da montanha - respondeu Atticus. - Esteve consciente até ao fim, quase. (...) Filho, disse-te que se não tivesses perdido a cabeça, eu ter-te-ia obrigado a ires ler-lhe. Queria que descobrisses nela uma coisa... queria que visses o que é a verdadeira coragem, em vez de ficares com a ideia de que a coragem é um homem com uma arma na mão. Coragem é quando sabes que foste vencido ainda antes de começares, mas começas apesar disso e acabas o que tens a fazer., independentemente do que possa acontecer. É raro ganhar-se mas às vezes acontece. Mrs. Dubose ganhou, com os seus quarenta e quatro quilos. Segundo as suas noções, ela morreu sem dever nada a ninguém. Foi a pessoa mais corajosa que conheci.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Ofertas e Ofertórios

Esta fotografia foi tirada na Igreja de Marracuene, em Moçambique, num domingo de Maio de 2006, porque estou com um casaco, o que significa que está frio. E como "em Roma, sê Romano", também não dispensei a capulana à volta da cintura, roxa como convinha a uma viúva. Lembrei-me de a ir buscar para ilustrar um pequeno texto que irei "roubar" a Harper Lee, na sua única obra escrita "Não matem a cotovia".
Mas primeiro deixem-me explicar de que trata a foto: é o Ofertório em espécie. Embora haja um Ofertório em que quem pode oferece uma moeda (e parece que não há absolutamente ninguém que não dê), há depois o ofertório em espécie, em que os fiéis dão do que têm para o sustento dos seus párocos. Em Marracuene eram, há dois anos, dois Padres italianos, ainda jovens. Agora o mais jovem já voltou para Itália por motivos de saúde.
Como se vê, cada pessoa leva do que tem: banana, coco, abacaxi, batata doce, abóbora, quiabos, um peixe seco ou fresco (nunca vi mais do que um por Missa), massarocas e, nos dias grandes (Páscoa, Natal e no dia da festa da Igreja) uma galinha.
Os padres terão que se governar com o que recebem, as moedas valem muito pouco e sobrevivem porque a sua Congregação os ajuda. Mas vivem com muita frugalidade, iso posso garantir.
Ora, se repararem bem, ali vou eu na procissão e levo um tabuleiro coberto com um pano branco. O que levo? Um bolo de cenoura que os padres adoravam. Coitadinhos (as Irmãs da minha Congregação tinham a mania de dizer que eu pensava que eles eram meus filhos), com uma vida tão espartana, pelo menos ao domingo tinham um miminho.
A descrição prolongou-se - a Missa também, porque nunca demorava menos de 3 horas, bem mexidas, com cantos e danças - e o texto do livro fica para outra vez. Era também a descrição do ofertório numa Missa numa igreja de negros em Atlanta, onde o pastor mandou fechar a porta para ninguém sair até a colecta dar 10 dólares, quantia que ele achava o mínimo para ajudar uma família em apuros. A descrição é feita a partir dos olhos e da inocência de uma garota de 6 anos e é uma delícia.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Para que servem os livros?

Em tempos que já lá vão pedi ao escritor e poeta Manuel António Pina que fosse à "minha" Filipa falar com alunos e professores, na inauguração da nossa nova biblioteca, sobre livros. Foi no dia 23 de Abril de 2002. Sem lhe pedir autorização, passo a transcrever o que ele disse e que hoje pode ser visto emoldurado na dita biblioteca. Esta escolha faz parte da minha terapia de cura...

PARA QUE SERVEM OS LIVROS?

Há muitos anos, num infeliz livro de Joaquim Namorado, li um aflitivo poema intitulado “Viagem aos Mares do Sul”, cuja estrita prosa dizia qualquer coisa do género “Eu não fui lá”. Quem, como eu, tivesse andado por aqueles mares todos com Salgari, e Stevenson, e Somerset Maugham, e também com Gauguin, e por esses mares e pelos outros com Conrad e com Fernão Mendes Pinto, e tivesse viajado por África com Roussel, ido à Lua com Júlio Verne e com Cirano de Bergerac, e a Vénus e a Nova Iorque com Ray Bradbury, e aos pólos com Jack London, ou tivesse andado atrás do ouro do Alasca com Charlot, e do ouro californiano com Blaise Cendrars, e tivesse vivido todo o género possível de aventuras, na China, no Tibete, nos Andes, nas Arábias, e um pouco por todo o lado, com Tintin, e tivesse combatido em Tróia com Aquiles e Agamémnon, descido aos Infernos com Ulisses, e iludido Circe, e vencido os pretendentes, durante horas tiradas ao sono e às sebentas, ou com Rilke, com Elliot, com Pessoa, tivesse andado perdido pelos obscuros territórios da alma e dos sentidos, haveria de ter tido, como eu, uma pena imensa da incapacidade do poeta para sair de casa.

Para isso servem também os livros, para sair de casa. E a pintura, o cinema, a música. E para regressar, quando os olhos e o coração se cansam, a casa.

Borges imaginou o mundo como babilónica biblioteca; os cabalistas imaginaram-no como um imenso livro por ler. E Rilke evoca, julgo que no “Livro das Horas”, as vastas mãos de Deus que folheiam o Livro do Princípio, que é o Livro do Mundo porque, como ensina Thomas Brown, a arte é a natureza do homem e a natureza é a arte (e a literatura) de Deus.

Tudo está eternamente escrito. E eternamente, e cesarinymente, em Quito. Isto é, em qualquer sítio da estante. O leitor é um Deus fugaz, e o escritor é provavelmente um leitor lendo por escrito. Não há Mares do Sul, não há Lua, não há alma, fora dos livros e de nenhuma outra forma é possível ir seja onde for levando-nos a nós próprios. Eu é que sei, que já me aconteceu, uma vez ou outra, e por dever de ofício, estar nos Alascas sem Jack London, e em Verona sem Shakespeare, e voar sobre o Pólo Norte sem Júlio Verne, e andar por Tóquio e por Kyoto sem Bashô, e por Macau sem Camilo Pestana, e pelo Nordeste sem João Cabral e sem João Guimarães Rosa, e por Lisboa sem Cesário, e por dentro e por fora de mim próprio sem Pessoa e sem Santa Teresa de Ávila; eu é que sei, que não há outra forma de ir, nem de estar, seja onde for. Escrever livros, e ler livros, ou cantar, ou pintar, é a única forma de sair de casa. De viver, como está escrito no Livro do Tao.


terça-feira, 22 de julho de 2008

Onde estão a Ética, a Solidariedade e o Bom-Senso?

Devo estar doente. Mas não se preocupem. É, a ser, o tipo de doença que eu mesma terei que tratar. Os sintomas são estranhos: vejo e leio coisas e não acredito, pelo que estou a ganhar a paranóia de que todos se conluíaram para me enganar.
Por exemplo, li num jornal de hoje que, em Itália, duas crianças morreram afogadas e os seus corpos ficaram algum tempo nas areias da praia, à espera de serem retirados. Entretanto, os banhistas que enchiam o areal procederam como se nada se tivesse passado: brincaram, nadaram, jogaram, comeram, beberam, mesmo ao pé dos corpos infantis mal cobertos por uma toalha. E alguém insinuou que aquela indiferença cruel se deveria, talvez, ao facto de as crianças serem ciganas.
Vocês, os Amigos que me lêem, podem fazer-me o favor de me dizer se isto é verdade?
A minha empregada, mais minha filha que empregada, recebeu um telefonema para ir trabalhar para mais uma casa. E isso porque, sendo só nós agora, ela e eu, a Gorete tem muito mais tempo livre e pode ganhar mais. Ela continua comigo porque, além da amorável companhia que me faz, nós, eu e o meu Marido, a convencemos a fazer uma compra na base de que, enquanto um de nós fosse vivo, ela teria emprego. E avisámos os nossos filhos.
Bem, mas a Gorete tem o horário super-cheio e disse que não podia. No entanto, iria telefonar a alguém que estava livre e lhe parecia de confiança. Telefonou, à minha frente, a uma jovem de 33 anos que vive do Rendimento Mínimo. Que não aceitou, porque, palavras dela, não dobrava as costas por cinco euros por hora para limpar a casa dos outros. A Gorete jura que esta foi a resposta e assim também me pareceu. Mas isto pode ser verdade?
Não temos dinheiro para mandar cantar um cego, mas garantem-me que a penúltima ministra da Cultura gastou uns bons milhões só para preparar a possível vinda de um pólo do Museu Hermitage. A Inglaterra não aguentava os custos de manter o pólo. Parece, de facto, um raciocínio lógico: eles não aguentavam mas nós não somos desses... E agora ficou tudo em águas de bacalhau. Dizem-me e também li no jornal. Poderá ser?
Muitos Professores podem ser excelentes, verdadeiramente excelentes, mas só em privado, com a sua consciência e junto dos seus alunos. Porque, com os seus pares, já é mais difícil eu acreditar que sejam vistos assim. O Governo destinou quantos excelentes poderia haver por escola! Não pode ser verdade! Alguém anda a tentar fazer com que me sinta louca.
Os ciganos têm orgulho nas suas tradições mas já não lhes apetece ser nómadas. Muito bem. Dizem que por aqui estão há 500 anos. Melhor ainda, porque eu estou há muito menos tempo e juro que sou portuguesa. Querem ser portugueses, tratados como portugueses, mas não ter que agir como os portugueses fazem em geral: pôr os filhos na Escola, tratar das vacinações, ter emprego e fazer descontos, coisas assim comezinhas. Só se alguém lhes der um empurrãozinho. Excepto que grande parte também recebe o tal rendimento mínimo. Não querem ser discriminados, mas também não querem viver com negros. Uns e outros, a viver em casas de renda económica, guerreiam-se e já se toma partido. Geralmente pelos mais claros. Mas quem eu ontem vi na TV, a marchar pela Paz, foram os escuros! Alguém me anda a enganar!
Amigos, este não é o Portugal em que quero viver. E mesmo quanto ao que se passou em Itália, vou adiantando que esta também não é a Europa a que quero pertencer. Sou exigente: não me importo de dormir no chão, de tomar banho de chuva, de passar um mês ou dois sem comer carne, mas sinto-me mal a viver num pais e num continente onde a Ética está moribunda, a Solidariedade está de férias e o Bom-Senso foi enterrado com música e foguetes, como numa Queima das Fitas. Isto num Pais que nasceu em 1143.
Digam-me, por favor, que tudo isto é mentira.
PS. Por favor, se comentarem, não se cansem a falar da corrupção africana, que eu não nego que exista. Só que "quem tem telhados de vidro não deve andar à pedrada" e não é de bom tom cuspir para o ar.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O que a gente não sabe, o que sabe e o que julga que sabe



D. Teresa, condessa do Condado Portucalense

Ultimamente tenho dado vazão ao vício e tenho lido que nem uma desalmada. Imobilidade oblige. Não me tem apetecido ler romances, narrativas, o que às vezes até me parece impossível, porque adoro uma boa história. Não sei que me deu, ando muito de volta da História, nossa e dos outros. E por causa disso, tenho tido necessidade de rever umas poucas de "verdades" que eu tinha como imutáveis, irrefutáveis e estáveis, além de outros adjectivos que rimam com estes...

Ora vamos lá falar de algumas: achei que Charles Lindbergh era um autêntico herói, até que li "A Conspiração contra a América" e quase chorei por mim: era nazi, impenitente até ao fim, tudo fez para que o seu país se aliasse a Hitler.

Tinha uma admiração extrema por Churchill, achava que Lawrence da Arábia era um Herói a sério, daqueles aventureiros que parecem trazer um Anjo da Guarda imenso a livrá-los de todas as ciladas e um Conselheiro de outro Universo a dizer-lhe o que e como há-de fazer. Pois. Estou a ler "A Loucura de Churchill" e a perceber como nasceu o Iraque, como se pega em povos e nações e se faz um redil para os pôr lá, como se de carneiros se tratasse, e como nós estamos a pagar a conta.

Imaginava, pobre de mim, que Calouste Gulbenkian se tinha apaixonado por Portugal, tão rústico e pobrezinho, e por isso cá tinha deixado a sua imensa fortuna, com a gratidão do Dr. Oliveira Salazar e nem vos digo onde descobri que as coisas não são como se pintam, que o senhor mudou de nacionalidade várias vezes, chegou a ter mais do que uma, umas vezes comprava-as, outras vezes tiravam-lhas, enfim Rocambole no seu melhor, com o petróleo e ele a jogarem às escondidas e aos cinco cantinhos.

Comecei a ler "D. Teresa, a primeira rainha de Portugal", de Marsilio Cassotti, e este senhor está a provar-me por A mais B que a mãe de D. Afonso Henriques nem era devassa nem queria roubar o filho. Era, pelo contrário, uma mulher inteligente, com uma estratégia assombrosa para o seu tempo, que nunca se deixou diminuir por ser filha fora de casamento e nem autorizou a irmã, princesa real, (agora têm que desculpar o vernaculismo em coisa tão séria...) " a passar-lhe a perna".

A batalha de S. Mamede não teria sido bem assim como nos têm contado e não há provas de que a pobre, viúva cedo, tenha tido qualquer caso amoroso com o conde Fernão Peres de Trava. Ah, e pelo caminho, ainda me provam que D. Afonso Henriques não teve Egas Moniz como aio!

Bem, eu sei que são autoridades na matéria, mas já repararam que agora tenho que reformatar a minha História? A obra "1808" também me fez mudar de ideias sobre D. João VI, e para melhor, graças a Deus. "A Primeira Aldeia Global", afinal criação portuguesa, também me fez aumentar a auto-estima nacional e "Este País que nos pariu" provou que nem todos os filhos são ingratos... Mas vamos ver o que vou a ficar a não saber quando acabar de ler a minha colheita de férias...

domingo, 20 de julho de 2008

O que é a Felicidade?



Um Presente

Ontem recebi um Presente. Assim, maiúsculo. Um Presente que devorei. Quem mo deu sabe o valor do que me ofereceu. Não é necessário ao entendimento deste poste nomeá-lo.
Hoje, enquanto esperava que o meu Filho Rui me viesse buscar para passar pelo menos parte do dia com a família, estava a ver um programa na TV que falava da busca da Felicidade. Só vi e ouvi muito pouco. Porque não quis ouvir mais. Porque começo a crer que há mais charlatães do que o concebível. E lembrei-me de uma fatiazinha do meu presente. Vou transcrevê-la para quem me visita nesta casa de todos os que vêm por bem:


“E a felicidade, o que é?”perguntou um outro homem ao Senhor das Estórias.

“Felizes são aqueles que têm saudades de Deus,
Porque o Reino dos Céus lhes pertence.
Felizes são os tristes,
Porque consolo lhes será dado.
Felizes são os de espírito manso:
Porque a terra lhes será dada como posse.
Felizes são os que têm fome e sede de justiça,
Porque serão satisfeitos.
Felizes são aqueles cujo coração deseja uma só coisa.
Porque eles verão a Deus.
Felizes são os que lutam pela paz,
Porque Deus os terá como filhos.
Felizes são os que têm sofrido perseguição por causa da justiça,
Porque o Reino dos Céus lhes pertence.”



A receita para ser feliz é tão simples! Mas na campa do meu Marido eu escrevi mais uma razão para o ser: "Felizes aqueles que deixam um sorriso por herança".


Gostaria ainda de copiar o que está escrito para o dia 20 de Julho na obra "Não há soluções - Há Caminhos", do Padre Vasco Pinto de Magalhães, que ainda tem como subtítulo "365 vezes por ano não perguntes porquê mas para quê".

A refllexão é curta, o resultado dela terá o tamanho que quisermos:
"Aquele homem queria ir para África ajudar os mais necessitados. Descobriu o sítio certo e com quem o realizar. Mas depois não contactou a organização, não comprou o bilhete e sentou-se em casa a sonhar como seria... Afinal, não queria, ou ainda não queria! Porque o sinal de querer mesmo é pôr os meios para lá chegar. Quem quer os fins, quer os meios."


Um dia destes continuarei com a Avaliação de desempenho.

sábado, 19 de julho de 2008

Avaliação de Desempenho do corpo docente de Angola - Parte II

Isto é uma escola angolana do interior, pouco depois de ter terminado a guerra. Vemos a figura digna do Professor e o entusiasmo de um grande grupo de crianças que, certamente, após a foto, entraram e se sentaram no chão para seguir o que o Professor ensinava. E aprendiam. Só com uma lousa. Ou uns papéis e uns lápis.

Voltemos, pois, à Avaliação de Desempenho:
Artigo 6º: Tipos de avaliação
1. A avaliação de desempenho do corpo docente, técnicos pedagógicos e especialistas de administração da educação é tipificada como comum ou especial.
2. O processo comum da avaliação de desempenho efectua-se anualmente até ao mês de Janeiro, relativamente ao ano lectivo anterior.
3. O processo especial de avaliação efectua-se por iniciativa dos interessados e visa propiciar-lhes:
a) a possibilidade de acelerar a progressão na carreira, por força de especialização:
b) a correcção de classificação negativa obtida na avaliação comum.
4. Para a efectivação do previsto na alínea b) do número anterior, o pedido de abertura do processo especial de avaliação deve ocorrer depois, de, pelo menos, seis meses da data da avaliação negativa.
Artigo 7: Classificação
1. A classificação a atribuir no processo de avaliação desempenho do corpo docente, técnicos pedagógicos e especialistas de administração da educação é a seguinte:
a) muito bom, de 18 a 20;
b) bom, de 14 a 17;
c) suficiente, de 10 a 13;
d) mau, de 0 a 9
Artigo 8º: Graduação dos indicadores de avaliação
1. Cada um dos indicadores de avaliação a que se referem os modelos anexos ao presente diploma é susceptível de graduação em quatro posições, ponderadas em 5, 10, 15 e 20.
2. A cada indicador é atribuído um coeficiente de ponderação 3,2 e 1.
3. A determinação do valor de cada indicador é obtida pela multiplicação do respectivo coeficiente de ponderação, com a graduação atribuída.
4. A classificação final de cada docente, técnicos pedagógicos e especialistas de administração da educação é obtida pela soma dos valores atribuídos aos indicadores, divididos por 10.

Num dos próximos postes irão mais alguns dados. Espero que isto vos diga alguma coisa.
Ah, os indicadores da Avaliação de Desempenho dos docentes, técnicos pedagógicos e especialistas de administração da educação são os seguintes:
1. Qualidade do trabalho
2.Aperfeiçoamento profissional
3. Espírito de iniciativa/inovação pedagógica
4.Responsabilidade
5. Relações humanas

Hoje não há mais. Para não cansar...