quinta-feira, 10 de julho de 2008

Chegadinha de fresco!

Bom dia, AMIGOS! Chegadinha de fresco, aqui estou para recomeçar o meu blogue e para fazer uma coisa de que gosto: dizer bem.
Pois é: quero dizer bem da TAP! Com podem ver pelo testemunho ao lado, a nossa transportador proporcionou-me todo o conforto. Munida de um documento médico que dizia que eu tinha em mim 6 parafusos e uma placa metálica de 15 centímetros e que, portanto, iria tilintar até dizer chega quando passasse nos detectores, fui convenientemente informada pela agência de viagens que iriam avisar a TAP da situação. Na véspera do embarque, recebi um e-mail a dizer que teria à minha espera uma cadeira de rodas.
Imaginem como fiquei grata! Mas não foi só isso: fui levada até ao assento, fui retirada à chegada a Lisboa, transportada até ao avião que me havia de trazer para o Porto e, no nosso belo aeroporto, lá estava um jovem simpaticíssimo que, coitado, teve que perder algum tempo porque a minha mala de porão, como acontece em 70% das minhas viagens, não chegou. Trouxe-me até junto dos meus amigos que me foram esperar, já me vieram cá a casa trazer a mala perdida e eu estou muito grata!
Esta cadeira onde me vêem é muito estreita e servia apenas para me movimentar no próprio avião, é à largura das coxias. Mas, nos aeroportos, eram cadeiras normais.
Adoro contar coisas boas, aqui fica o meu agradecimento público, mais logo agradecerei por escrito.
Desde que cheguei (19.20h de ontem), só tenho ouvido falar das inscrições para a Faculdade. Li no avião a jornalista Helena Matos fazer uma violenta crítica à 5 de Outubro mas já se sabe que nada mexe. Li o Desidério Murcho. Os exames de Português continuam na ordem do dia e pergunto a mim própria por que é que não há ninguém (ou ninguéns) que sintam o peso dos erros que cometeu a elaborar uma prova. Nós todos pensamos e desejamos que o Estado seja uma Pessoa de bem. Logo, não se pode admitir que tenha ao seu serviço (e, a tê-los, é responsável por tal) pessoas que não sejam capazes de elaborar um exame o mais objectivamente possível. Estes exames, que deveriam ser metas normais a ultrapassar com maior ou menor dificuldade, dependendo da capacidade e/ou do trabalho dos alunos, são hoje muito mais do que isso: são casos nacionais, como se vê. Transformaram-se em tempos de tensão psicológica e, no mínimo, é ludibrio ou sadismo construir exames que deixem tantas dúvidas mesmo a Professores capazes e experientes. Pronto. Isto não é dizer mal, é desabafar em nome dos nossos jovens, daqueles que foram prejudicados.
Agora, todos e cada um, à sua maneira, vamos fazer a nossa parte para tocar Portugal para a frente. Infelizmente, temos que ser nós.

domingo, 6 de julho de 2008

A Escola da Ponte

Não sei se, entretanto, alguém de entre nós postou este texto de Rubem Alves, um de entre seis que ele dedicou à Escola da Ponte. Se o fez, perdoem, mas eu fui à fonte... porque cada vez gosto mais de o ler e cada vez entendo melhor as suas ideias e o que lhes está subjacente. Portanto, com muita satisfação (caramba, estão a dizer bem de uma coisa nossa! Perguntar o que aconteceu depois é outo assunto!), qui vai Rubem Alves:


Quero uma escola retrógrada...
Aforismo que repito sempre: "Numa terra de fugitivos aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo." O poeta T. S. Eliot, que o escreveu, pôs o fugitivo no singular: um ser solitário. E era assim que eu sempre me sentia, andando sozinho na direção contrária. Mas, repentinamente, descobri um outro "fugitivo", um velho de longas barbas e que fumava um charuto fedorento. Não gosto de cheiro de charutos. Mas gosto de companhia. Aproximei-me dele e o reconheci. O nome dele era Karl Marx. Fiquei espantado porque sempre pensei que ele se encontrava no meio da multidão dos que andam para a frente, os modernos, economistas, cientistas - pois foi isso que sempre disseram dele os que se diziam seus intérpretes.
De facto, as roupas que ele usava eram modernas, feitas de tecido fabricado naquelas tecelagens (que ele odiava) onde trabalhavam mulheres e crianças 16 horas por dia, para enriquecer os donos. Evidentemente faltava-lhe tempo e habilidade para fazer o que fazia aquele outro retrógrado chamado Gandhi, que tecia seus próprios tecidos num tear doméstico que ele afirmava ter poderes terapêuticos e sapienciais. Percebi que ele era moderno por fora mas o seu coração era retrógrado; andava para trás. Como o meu.
Psicanalista, presto atenção nos detalhes, os lapsus, e foi assim que descobri esse segredo que ninguém mais sabia: um pequeno texto...Ele dizia nesse texto que o operário, ao ver o objeto que produzira, tinha de ver o seu próprio rosto refletido nele. Cada objeto tem de ser um espelho, tem de ter a cara daquele que o produziu. Quando o operário vê seu rosto refletido no objeto que ele produziu, ele sorri feliz. O trabalho, com todo o seu sofrimento, valeu a pena: foi dor de parto.
Agora, meu leitor, lhe peço: ande por sua casa e examine os objetos modernos que há por lá: liquidificadores, torradeiras, fogões, computadores. Olhando para eles, cara de quem você vê? Se, ao invés de estar comprando um desses objetos numa dessas lojas que vendem tudo para fazer sua mãe feliz - eles, os vendedores, acham que sua mãe é muito curta de inteligência e de sentimentos - você estiver numa exposição de arte - esculturas do Santos Lopes, esse extraordinário artista português, por exemplo - e você se apaixonar por uma delas - você poderá procurar um lugar, na escultura, onde ele colocou a sua assinatura. Você compra a escultura, leva-a para sua casa, põe na sala, e se eu for visitá-lo, ao ver a escultura, direi imediatamente, antes de examiná-la: " Ah! Você tem uma Santos Lopes!" Todas as esculturas do Santos Lopes têm a cara dele ( mesmo que ele não as assine; são inconfundíveis!). Mas o nome de que artesão irei dizer ao ver seu liquidificador, sua torradeira, seu computador, sua esferográfica? Esses objetos foram feitos por pessoas sem nome. Foram produzidos em linhas de montagem. São todos iguais. Quando ficam velhos são jogados fora e outros, novos, também produzidos em linhas de montagem, são comprados. Operários que trabalham em linhas de montagem não assinam as suas obras - porque não são deles - e nem vêem o seu rosto refletido nelas.

(...)
Nossas escolas são construídas segundo o modelo das linhas de montagem. Escolas são fábricas organizadas para a produção de unidades bio-psicológicas móveis portadoras de conhecimentos e habilidades. Esses conhecimentos e habilidades são definidos exteriormente por agências governamentais a que se conferiu autoridade para isso. Os modelos estabelecidos por tais agências são obrigatórios, e têm a força de leis. Unidades bio-psicológicas móveis que, ao final do processo, não estejam de acordo com tais modelos são descartadas. É a sua igualdade que atesta a qualidade do processo. Não havendo passado o teste de qualidade-igualdade, elas não recebem os certificados de excelência ISO-12.000, vulgarmente denominados diplomas. As unidades bio-psicológicas móveis são aquilo que vulgarmente recebe o nome de "alunos".
As linhas de montagem denominadas escolas se organizam segundo coordenadas espaciais e temporais. As coordenadas espaciais se denominam "salas de aula". As coordenadas temporais se denominam "anos" ou "séries". Dentro dessas unidades espaço-tempo os professores realizam o processo técnico-científico de acrescentar sobre os alunos os saberes-habilidades que, juntos, irão compor o objeto final. Depois de passar por esse processo de acréscimos sucessivos - à semelhança do que acontece com os "objetos originais" na linha de montagem da fábrica- o objeto original que entrou na linha de montagem chamada escola ( naquele momento ele chamava "criança") perdeu totalmente a visibilidade e se revela, então, como um simples suporte para os saberes-habilidades que a ele foram acrescentados durante o processo. A criança está, finalmente formada, isso é, transformada num produto igual a milhares de outros. ISO-12.000: está formada, isto é, de acordo com a forma. É mercadoria espiritual que pode entrar no mercado de trabalho.
Aí o meu companheiro de direção contrária me perguntou se não seria possível mudar as coisas. Abandonar a linha de montagem de fábrica como modelo para a escola e, andando mais para trás, tomar o modelo medieval da oficina do artesão como modelo para a escola. O mestre-artesão não determinava como deveria ser o objeto a ser produzido pelo aprendiz. Os aprendizes, todos juntos, iam fazendo cada um a sua coisa. Eles não tinham de reproduzir um objeto ideal escolhido pelo mestre. O mestre estava a serviço dos aprendizes e não os aprendizes a serviço dos mestres. O mestre ficava andando pela oficina, dando uma sugestão aqui, outra ali, mostrando o que não ficara bem, mostrando o que fazer para ficar melhor ( modelo maravilhoso de "avaliação"). Trabalho duro, fazer e refazer. Mas os aprendizes trabalham sem que seja preciso que alguém lhes diga que devem trabalhar. Trabalham com concentração e alegria, inteligência e emoção de mãos dadas. Isso sempre acontece quando se está tentando produzir o próprio rosto ( e não o rosto de um outro). Ao final, terminado o trabalho, o aprendiz sorri feliz, admirando o objeto produzido.
São extraordinários os esforços que estão sendo feitos para fazer com que nossas linhas de montagem chamadas escolas tão boas quanto as japonesas. Mas o que eu gostaria mesmo é de acabar com elas. Sonho com uma escola retrógrada, artesanal...
Impossível? Eu também pensava. Mas fui a Portugal e lá encontrei a escola com que sempre sonhara: a "Escola da Ponte". Me encantei vendo o rosto e o trabalho dos alunos: havia disciplina, concentração, alegria e eficiência.


Meu comentário: Eu não tenho a felicidade de ter uma receita, como Rubem Alves, e não tenho a idade dele, o que me permitiria dizer tudo isto sem me crucificarem, mas como eu sonho também com a possibilidade, cada vez mais remota, de uma escola que olhe para o aluno como um ser único! Entre outros seres únicos. E que lhe ensine que, na sua unicidade, tem de respeitar e aprender a viver em pluralidade.
Sabem, acho que vou começar a pensar numa tese: "Humanização dos procedimentos escolares"...

sábado, 5 de julho de 2008

As borboletas virão até você!






Muitas vezes, passamos um longo tempo da nossa vida a correr desesperadamente atrás de algo que desejamos: seja um amor, um emprego, uma amizade, uma casa, etc.
Acredito, realmente, que devamos empenhar-nos para alcançarmos o que queremos; no entanto, se não estivermos a ter êxito na nossa procura, provavelmente é porque algo nesta busca está errado!
Não quero dizer que tudo tenha de ser fácil, ou muito menos que devemos desistir quando as coisas se tornam difíceis. O quero dizer é que, se do nosso esforço nada resulta, talvez isso aconteça porque não estejamos a agir da forma mais adequada para atingir os nossos objectivos. Talvez Deus esteja a tentar mostrar-nos que ainda não estamos preparados para essa conquista.
Muitas vezes, a vida usa símbolos, acontecimentos, que são sinais para que possamos entender que, antes de merecermos aquilo que desejamos, precisamos de aprender algo de importante, precisamos estar prontos e maduros para viver determinadas situações.
Por isso, se tal está a acontecer na sua vida, pare e reflicta sobre a seguinte frase:Não corra atrás das borboletas. Cuide do seu jardim e elas virão ter consigo!
Isto significa que, na verdade, não precisamos de correr desesperadamente atrás daquilo que desejamos. Devemos compreender que a vida segue o seu fluxo e que esse fluxo é perfeito. Tudo acontece no seu devido tempo.
Nós, seres humanos, é que nos tornamos ansiosos e estamos constantemente a tentar "empurrar o rio". O rio vai sozinho, obedecendo o ritmo da natureza. Ao tentarmos empurrá-lo, estaremos apenas a desperdiçar as nossas energias e a correr o risco de nos sentirmos frustrados, pois o máximo que conseguiremos será uma enchente ou algum outro tipo de desastre.
O grande segredo da conquista é lembrarmo-nos sempre de que, subir ao pódio, erguer a taça da vitória ou comemorar os objectivos alcançados nada mais são do que os resultados, as consequências de muito esforço, de muita luta e de muito trabalho. São, enfim, o prémio merecido para quem deu o melhor de si!
Então, em vez de nos concentrarmos no final da batalha, que tal começar por nos dedicarmos e aproveitarmos mais todo o caminho que precisamos de percorrer até chegarmos lá?
É isso que quero dizer com a frase sobre as borboletas: se passarmos todo o tempo a desejar as borboletas e a reclamar porque elas não se aproximam da gente, mas vivem no jardim do nosso vizinho, elas realmente não virão.
Mas se nos dedicarmos a cuidar do nosso jardim, a transformar o nosso espaço (a nossa vida) num ambiente agradável, perfumado e bonito, será inevitável: as borboletas virão até nós!
(Autor desconhecido)
PS. Desculpem as repetições anteriores mas estive a trabalhar com NET do tempo dos Flintstones...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Uma explicação

Para a minha Caixinha de Afectos, incluindo já os incansáveis, a Pedrita e o Geocrusoe:
Estou desde segunda feira a viver e trabalhar noutra parte da cidade de Luanda onde tenho muita dificuldade em ter aceso à Net.
Está tudo muito bem comigo (isto para responder a alguns mails) e espero a partir de amanhã à noite reentrar em plena na Blogosfera na vossa Companhia.
Vou ter depois muito que ler e escrver, mas sei quye vou adorar. Beijos para todos da Avó Pirueta.
PS. O filme, cafe, chá e bolos mantém-se... (que inveja para quem não perceber!)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uma justificação

Amigos,
estou, desde terça-feira, noutra parte da cidade de Luanda, a fazer o trabalho que me propus fazer, e, infelizmente, tenho extrema dificuldade em usar a Net.
Agradeço a todos os mimos, as gentilezas, e espero voltar a contactar convosco no Domingo. Se tal não for possível, a patir do dia 10 (devo chegar no dia 9 à noite) contarei as minhas estórias e marcaremos, com os inscritos, o dia para a "tertúlia": ver o filme, bebermos uns chás e uns cafés e fazermos uma análise sobre o que se está a fazer no ME em Portugal. Tenho a impressão de que ainda vamos dar que falar... e que pensar...
A todos os meus Amigos, a todos vós, Jovens que me acolhestes tão cordialmente, o meu obrigada e até já.
Entretanto, não se esqueçam: nascemos para ser felizes! Um abraço feliz para todos da Avó Pirueta

Uma justificaç

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Saudades de chegar e de partir

Perto de partir
partida em pedaços
como sempre
querendo ficar e ir
recusando os abraços
porque fazem doer o coração.
Perto de chegar,
com alma a contar cada segundo
com um sorriso a imaginar
a chegada a esse meu outro mundo.
Partida de Afectos,
carrregada de carinhos
a pensar nos meus maravilhosos netos
e nestes que aqui deixo em seus caminhos.
Cada dia é um dia a menos e um a mais
assim divido a alma, o coração e a vontade
de sempre partir sem chegar jamais
por um milagre que me dê ubiquidade.
Mas só o nosso S. António, que eu saiba
foi capaz tal façanha sem igual
portanto na outra quarta-feira
contem aí comigo em Portugal.

(E mato alguém que se atreva a chamar Poesia a este brincar com as palavras!)