sexta-feira, 20 de junho de 2008

Adélia Prado, a Amiga que conheci hoje


Eu não conhecia Adélia Prado e alguém me fez encontrá-la. Ou antes, me fez ter vontade de a encontrar. Que bom! Fui à procura dela e encontrei uma Mulher que mostra na sua Poesia uma enorme alegria de ser Mulher, de estar viva, de ter um corpo. Estas são as primeiras impressões colhidas. Ainda tenho que me encontrar com ela muitas vezes. Creio que nos vamos dar bem. Partilho-a com gosto na descrição de uma cena conjugal tão normal e pacata e onde se pode encontrar uma cumplicidade natural e inocente entre Marido e Mulher. De que tenho saudades. Então, a palavra a Adélia Prado. Se quiserem saber onde a descobri vão ao terrear, a partir de um texto de Rubem Mendes e de um comentário de um meio-Anónimo de nos fazer crescer água na boca:
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Diferenças essenciais



Hoje li um poema sobre a
Palavra no blogue sletras.


Resolvi, num momento de maior descontracção, fazer uma brincadeira com palavras. Para que se perceba que uma coisa é Poesia (o que a Isabel Cabral publicou) e outra coisa é rima (que é o que vos dou a seguir). Não quero dizer que enjeito o que escrevi. Quero só que se sinta a diferença. Porque nem todos os versos são Poesia.
Palavras, armas mortais
Palavras de salvação
Palavras, golpes fatais,
Palavras, doce ilusão.

Palavras, luzes no escuro,
Palavras, noite cerrada
Palavras que fazem muro
Palavras que dizem nada.

Palavras que dizem tudo,
Palavras que tudo calam
Palavras de um mundo mudo
Palavras que tudo falam.

Palavras que fecham portas
Palavras que abrem caminhos
Palavras quais folhas mortas
De que se tecem os ninhos.

Palavras, pedras, cristais
Penas, folhas e flores,
Cansadas, gastas, banais,
Jovens, falando de Amores.
Palavras, sempre palavras,
moldáveis, duras, tristonhas.
Palavras, sempre palavras,
simples, frágeis e risonhas.



A minha citação de Karl Popper


Esta, sim, é a minha citação preferida de Karl Popper. Lá a fui pedir, pela enésima vez, a ccz. Que tem uma paciência de santo...
"Penso que só há um caminho para a ciência ou para a filosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonar-se por ele; casar e viver feliz com ele até que a morte vos separe - a não ser que encontrem outro problema ainda mais fascinante, ou, evidentemente a não ser que obtenham uma solução. Mas, mesmo que obtenham uma solução, poderão então descobrir, para vosso deleite, a existência de toda uma família de problemas-filhos, encantadores ainda que talvez difíceis, para cujo bem-estar poderão trabalhar, com um sentido, até ao fim vossos dias".
Karl Popper

Em tempo de Primavera, até os cardos dão flor...


Aqui de longe, que é de onde às vezes se vê melhor, gostaria de fazer algumas perguntas à Senhora Ministra da Educação. Espero que ninguém leia mais do que aqui vai: questões simples, de uma Mulher a outra Mulher. Que, pelo menos a partir do que é do domínio público, têm bastante em comum em termos de vivências de crescimento.
1. A Senhora tem, de facto, um grande Plano de mudança para a Educação?
2. Como, quando e com quem concebeu esse Plano?
3. Já pensou que é nos Professores que o País deposita o Futuro?
4. Quando assumiu o Ministério da Educação^, qual era a sua opinião sobre os Professores?
5. A Senhora tem algum preconceito, ideia feita ou descrença relativamente aos Professores?
6. Na sua opinião, ser Professor é uma profissão como outra qualquer?
7. Infelizmente, vejo-me obrigada a concordar com uma prova de admissão para avaliar os conhecimentos de um professor, à entrada. Mas a Senhora acredita que existe algum exame capaz de medir a vocação, a criatividade, a disponibilidade, o Amor que é necessário para se ser Professor?
8. E daí, é capaz de conceber a ideia de que o sistema de avaliação que mandou aplicar lhe vai permitir separar o trigo do joio?
9. Já lhe passou pela cabeça que o simples facto de, à partida, um Professor ter a certeza de que atingir ou não o topo da carreira não terá nada a ver com a qualidade do seu trabalho é altamente desmotivante?
10. Admite que só os mártires sofrem com gozo e alegria para merecer um prémio que não é deste Mundo?
11. Quando decidiu que os Professores deveriam ficar mais tempo na Escola (afinal, os outros funcionários também trabalham 35 horas por semana...), pensou no trabalho que dá preparar as lições, a necessidade de espaços próprios e de materiais e equipamentos para o fazer?
12. Faz alguma ideia de quanto é preciso para preparar aulas que sejam lugares de aprendizagem viva, activa, partilhada, rica, desejada e não um longo tédio?
13. Acredita que hoje em dia é possível, em Portugal, alguém ensinar ou aprender apenas a partir de um manual qualquer, apesar dos malabarismos editoriais e da parafernália de “acompanhamentos”?
14. Na sua opinião, as normas, regras e determinações que nascem do Ministério a toda a hora, como pãezinhos quentes a sair das inúmeras padarias por aí espalhadas, vão ter alguma utilidade a não ser gastar papel, dar mais trabalho aos professores e afagar o ego dos seus criadores?
15. Senhora Ministra da Educação, por que será que há tão grande quantidade de professores destacados, no Ministério e em todos os cantos onde se aninham departamentos a ele ligados, em vez de estarem nas Escolas a trabalhar para saberem como é?


Também gostaria de lhe perguntar se a Senhora dorme bem, se se sente realizada, mas acho uma indelicadeza da minha parte e eximo-me de o fazer. Sei que não responderá, mas já me sentiria feliz se soubesse que se põe, a si mesma, estas questões.
Respeitosamente, Maria do Carmo Cruz

terça-feira, 17 de junho de 2008

Fazer pela vida


Pois é: o que este passarinho faz é "fazer pela vida"...
Dizia eu, dois postes mais abaixo, que tenho escrito textos que não publico porque, neste momento, não me sinto preparada para as reacções que poderiam suscitar. Por outro lado, pode acontecer que eu não tenha as informações necessárias e suficientes para sustentar os meus pontos de vista e se há coisa que me incomode é a injustiça.
Confesso que recebi a actual Ministra da Educação com algumas esperanças. Tantos anos de Escola, a vê-la por dentro, a ter que conviver com muitos dos seus podres inatacáveis, faziam-me descrer que algum dia a Educação em Portugal pudesse encontrar o seu caminho. Depressa me desiludi: as nossas leis parecem feitas à medida para proteger os "criminosos".
Depois, sinceramente, acho que a contestação à avaliação dos Professores não foi, a maior parte das vezes, tratada com a elevação mínima desejável de Pessoas que tinham a seu cargo a formação dos jovens. Porque a Escola há muito que não serve só para "passar" informação. Porque há outros canais que passam a informação com muito mais possibilidade de sucesso.
A Escola, suponho, continuo a supor, está ligada à criação e transmissão de conhecimento. Que, por ser conhecimento, não pode causar tédio.
Vi, na altura, imagens que me fizeram corar. E apesar de todos sabermos que, em certos momentos, cheios de razão, a perdemos por uma palavra, um gesto, vi esses percalços acontecerem vezes demais para o meu gosto.
Contava, depois da manifestação dos 100 000, que se criasse uma coesão assente em princípios que tenho visto aqui, na Blogosfera, defendidos por verdadeiros Professores (embora reconheça que alguns nada perderiam da razão que têm, pelo contrário, se se exprimissem num tom menos agressivo).
Mas o que tenho visto, afinal, é outra vez, docentes contra docentes. Professores titulares a puxarem dos seus galões. Conselhos Executivos que tanto se queixavam da "prisão" a que estavam sujeitos, a lutar sofregamente para manter os lugares. Ou colegialmente ou como directores. Uma tristeza. Porque, nós que sabemos a história, deixámo-nos, mais uma vez manobrar e vencer com uma arma tão antiga: dividir para reinar.
Infelizmente, neste momento, estamos todos a perder. Todos aqueles para quem a Escola dizia alguma coisa. Os bons Professores, os Alunos, Portugal. E já nem me atrevo a rezar. Parece-me estar a desperdiçar munições. Especialmente quando, por outras paragens, vejo tanta sede de saber, de aprender.

Curso Rápido de Relações Humanas

(Em Sete Lições...)
Que acharam do blogue anterior?
Comum, vulgar, nada de extraordinário? Sim, sim, sim! E faz-se? Pouco, pouco, pouco. Será difícil de ganharmos o hábito? Facílimo!

Vou transcrever o conteúdo de um pps que se chama:

Curso rápido de Relações Humanas em sete lições”

1ª Lição - As SEIS palavras mais importantes
Admito que o erro foi meu!

2ª Lição - As CINCO palavras mais importantes
Você fez um bom trabalho!

3ª Lição - As QUATRO palavras mais importantes
Qual a sua opinião?

4ª Lição - As TRÊS palavras mais importantes
Se faz favor!

5ª Lição - As DUAS palavras mais importantes
Muito obrigado.

6ª Lição - A palavra MAIS importante
Nós!

7ª Lição - A palavra MENOS importante
Eu!
Bem, desta vez já nem fico à espera da pancada...Mas vou acreditar sempre que estas regrazitas funcionam.

Cortesia, humildade e outras coisitas assim sem importância


Tenho textos escritos para este blogue que, no momento M, não consigo postar. É um sentimento confuso, misto de pudor, descrença, receio. Pudor, porque já me chamaram parva, sonhadora, irrealista, vezes suficientes para eu às vezes pensar que os outros têm razão. Descrença, porque aquilo sobre que escrevo é exigente, e as pessoas, de uma maneira geral, não estão para aí viradas. E irrealista, porque, vivendo há anos em continentes diferentes, em que o irrealismo é coisa a que não se liga a mínima se se quer avançar, não estou a ver este ponto de vista a frutificar na Europa.
Então, de repente, caiu-me sob os olhos uma frase de Leon Tolstoi: “Toda a gente quer mudar o mundo mas ninguém quer mudar”. E fui lendo o tal livro de que vos falei ontem e encontrei frases tão inspiradores que as resolvi partilhar convosco. Fala-se de “simpatia” e diz-se que ela “é um acto de amar (verbo) porque exige que estendamos a mão ao outro, que nos esforcemos, mesmo por pessoas de quem podemos não gostar muito. A bondade e a cortesia têm a ver com fazer as coisas que ajudam as relações a evoluírem suavemente. Isso inclui esforçarmo-nos pelos outros, apreciando-os, encorajando-os, sendo delicados, ouvindo-os bem, dando crédito e louvando os esforços feitos. (…)
Ultimamente têm demonstrado reconhecimento aos vossos alunos, aos vossos filhos, ao vosso cônjuge, aos vossos colegas? (…) Madre Teresa de Calcutá dizia muitas vezes que as pessoas precisam mais desesperadamente de reconhecimento do que de pão.”
(…) Lembre-se de que não tem de ser chefe para encorajar e influenciar os outros. A cortesia comum está em fazer pequenas coisas que fazem “de uma casa um lar”. Pequenas coisas como ser o primeiro a sorrir, a cumprimentar, a dizer “se faz favor”, “obrigado”, “desculpe”, “enganei-me”, “tem razão”, “fez muito melhor do que eu faria”.
A simpatia é o lubrificante das relações humanas”.
In “Lições para Executivos”, James C. Hunter