quinta-feira, 12 de junho de 2008

Esta mensagem tem destinatário. Ele/ela se reconhecerá

Antes de mais nada, quero agradecer à minha muito Querida Isaura ter-me mandado este conto. Que eu vou passar a quem dele precise. Com Amor.

O fio mágico
Era uma vez uma viúva que tinha um filho chamado Pedro. O menino era forte e saudável, mas não gostava de ir à escola e passava todo o tempo a sonhar acordado.
— Pedro, com o que estás sonhar a uma hora destas? — perguntava-lhe a professora.
— Estava a pensar no que serei quando crescer — respondia ele.
— Sê paciente. Tens muito tempo para pensar nisso. Depois de crescido, nem tudo é divertimento, sabes? — dizia ela.
Mas Pedro tinha dificuldade de apreciar alguma coisa que estivesse a fazer no momento, e ansiava sempre pelo que vinha a seguir. No Inverno, ansiava pelo retorno do Verão; no Verão, sonhava com passeios de esqui e trenó. Na escola, ansiava pelo fim das aulas, para poder voltar para casa; e, nas noites de domingo, suspirava dizendo: "Ah, se as férias chegassem depressa!"
O que mais o entretinha era brincar com a amiga Lise. Era uma companheira tão boa como qualquer rapaz, e a ansiedade de Pedro não a afectava nem ofendia. "Quando crescer, vou casar‑me com ela", dizia Pedro consigo mesmo.
Costumava perder-se em caminhadas pela floresta, sonhando com o futuro. Às vezes, deitava-se ao sol sobre o chão macio, com as mãos postas sob a cabeça, e ficava a olhar o céu através das copas altas das árvores. Uma tarde quente, quando estava quase a cair no sono, ouviu alguém a chamar por ele. Abriu os olhos e sentou-se. Viu uma mulher idosa de pé à sua frente. Ela trazia na mão uma bola prateada, da qual pendia um fio de seda dourado.
— Olha o que tenho aqui, Pedro — disse ela, oferecendo-lhe o objecto.
— O que é isso? — perguntou, curioso, tocando o fino fio dourado.
— É o fio da tua vida — retrucou a mulher. — Não toques nele e o tempo passará normalmente. Mas se desejares que o tempo ande mais depressa, basta dares um leve puxão ao fio e uma hora passará como se fosse um segundo. Mas devo avisar-te: uma vez que o fio tenha sido puxado, não poderá ser colocado de volta dentro da bola. Ela desaparecerá como uma nuvem de fumo. A bola é tua. Mas se aceitares o meu presente, não contes a ninguém; se não, morrerás no mesmo dia. Agora diz-me, queres ficar com ela?
Pedro tomou-lhe das mãos o presente, satisfeito. Era exactamente o que queria. Examinou-a. Era leve e sólida, feita de uma única peça. Havia apenas um furo de onde saía o fio brilhante. O menino colocou-a no bolso e foi a correr para casa. Quando chegou, depois de se certificar da ausência da mãe, examinou-a outra vez. O fio parecia sair lentamente de dentro da bola, tão devagar que era difícil perceber o movimento a olho nu. Sentiu vontade de lhe dar um rápido puxão, mas não teve coragem. Ainda não.
No dia seguinte, na escola, Pedro imaginava o que fazer com o seu fio mágico. A professora repreendeu-o por não se concentrar nos deveres. "Se ao menos", pensou ele, "já fossem horas de ir para casa!" Tacteou a bola prateada que se encontrava dentro do bolso. Se desse apenas um pequeno puxão, logo o dia chegaria ao fim. Cuidadosamente, pegou no fio e puxou. De repente, a professora mandou que todos arrumassem as suas coisas e fossem embora, organizadamente. Pedro ficou maravilhado. Correu sem parar até chegar a casa. Como a vida seria fácil agora! Todos os seus problemas haviam terminado. Dali em diante, passou a puxar o fio, só um pouco, todos os dias.Entretanto, logo se apercebeu que era tolice puxar o fio apenas um pouco todos os dias. Se desse um puxão mais forte, o período escolar estaria concluído de uma vez. Poderia aprender uma profissão e casar-se com Lise. Naquela noite deu, então, um forte puxão ao fio, e acordou na manhã seguinte como aprendiz de um carpinteiro da cidade. Pedro adorou a sua nova vida, subindo aos telhados e andaimes, erguendo e colocando, à força de martelado, enormes vigas que ainda exalavam o perfume da floresta. Mas, às vezes, quando o dia do pagamento demorava a chegar, dava um pequeno puxão ao fio e logo a semana terminava, já era a noite de sexta-feira e ele tinha dinheiro no bolso.Lise também se mudara para a cidade e morava com a tia, que lhe ensinava os afazeres do lar. Pedro começou a ficar impaciente a respeito do dia em que se casariam. Era difícil viver, ao mesmo tempo, tão perto e tão longe dela. Perguntou-lhe, então, quando se poderiam casar.
— No próximo ano — disse ela. — Eu já terei aprendido a ser uma boa esposa.
Pedro tocou com os dedos a bola prateada dentro do bolso.
— Ora, o tempo vai passar bem depressa — disse, com muita certeza.Naquela noite, não conseguiu dormir. Passou o tempo todo agitado, virando-se de um lado para o outro na cama. Tirou a bola mágica que estava debaixo do travesseiro. Hesitou um instante, mas logo a impaciência o dominou, e ele puxou o fio dourado. Pela manhã, descobriu que aquele ano já havia passado e que Lise concordara afinal com o casamento. Pedro sentiu-se realmente feliz.Mas antes que o casamento pudesse realizar-se, recebeu uma carta com aspecto de documento oficial. Abriu-a, trémulo, e leu a notícia de que deveria apresentar-se no quartel do exército na semana seguinte para servir por dois anos. Mostrou-a, desesperado, a Lise.
— Ora — disse ela — não há nenhum problema, basta-nos esperar. Mas o tempo passará depressa, vais ver. Há tanto que preparar para nossa vida a dois!
Pedro sorriu com galhardia, mas sabia que dois anos durariam uma eternidade a passar.Quando já se acostumara à vida no quartel, entretanto, começou a achar que não era tão má assim. Gostava de estar com os outros rapazes, e as tarefas não eram tão árduas como a princípio. Lembrou-se da mulher que aconselhara a usar o fio mágico com sabedoria e evitou usá-lo por algum tempo. Mas depressa voltou a sentir-se inquieto. A vida no exército entediava-o, com as suas tarefas de rotina e a sua rígida disciplina. Começou a puxar o fio para acelerar o decurso da semana, a fim de que chegasse logo o domingo ou o dia da sua folga. E assim se passaram os dois anos, como se fosse um sonho.Terminado o serviço militar, Pedro decidiu não mais puxar o fio, excepto por uma necessidade absoluta. Afinal, era a melhor época da sua vida, conforme todos lhe diziam. Não queria que acabasse assim tão depressa. Mas deu um ou dois pequenos puxões ao fio, só para antecipar um pouco o dia do casamento. Tinha muita vontade de contar a Lise o seu segredo; mas sabia que, se contasse, morreria.No dia do casamento, todos estavam felizes, inclusive Pedro. Mal podia esperar para lhe mostrar a casa que construíra para ela. Durante a festa, lançou um rápido olhar na direcção da mãe. Percebeu, pela primeira vez, que o cabelo dela estava a ficar grisalho. Envelhecera rapidamente. Pedro sentiu uma ponta de culpa por ter puxado o fio com tanta frequência. Dali em diante, seria muito mais parcimonioso no seu uso, e só o puxaria se fosse estritamente necessário.Alguns meses mais tarde, Lise anunciou que estava à espera de um filho. Pedro ficou entusiasmadíssimo, e mal podia esperar. Quando o bebé nasceu, ele achou que não iria querer mais nada na vida. Mas, sempre que o bebé adoecia ou passava uma noite em claro a chorar, ele puxava um pouco do fio para que o bebé tornasse a ficar saudável e alegre.Os tempos andavam difíceis. Os negócios iam mal e chegara ao poder um governo que mantinha o povo sob forte opressão e pesados impostos, e não tolerava oposição. Quem quer que fosse tido como agitador era preso sem julgamento, e um simples boato bastava para se condenar um homem. Pedro sempre fora conhecido por dizer o que pensava, e logo foi preso e lançado na cadeia. Por sorte, trazia a bola mágica consigo e deu um forte puxão ao fio. As paredes da prisão dissolveram‑se diante dos olhos e os inimigos foram arremessados à distância, numa enorme explosão. Era a guerra que se insinuava, mas que logo acabou, como uma tempestade de Verão, deixando o rasto de uma paz exaurida.
Pedro viu-se de volta ao lar com a família. Mas era agora um homem de meia-idade.Durante algum tempo, a vida correu sem percalços, e Pedro sentia-se relativamente satisfeito. Um dia, olhou para a bola mágica e surpreendeu-se ao ver que o fio passara da cor dourada para a prateada. Foi olhar-se ao espelho. O cabelo começava a ficar-lhe grisalho e o seu rosto apresentava rugas onde nem se podia imaginá-las. Sentiu um medo súbito e decidiu usar o fio com mais cuidado ainda do que antes. Lise dera-lhe outros filhos e ele parecia feliz como chefe da família que crescia. O seu modo imponente de ser fazia as pessoas pensarem que ele era algum tipo de déspota benevolente. Possuía um ar de autoridade, como se tivesse nas mãos o destino de todos. Mantinha a bola mágica bem escondida, resguardada dos olhos curiosos dos filhos, sabendo que, se alguém a descobrisse, seria fatal.Cada vez tinha mais filhos, de modo que a casa foi ficando cheia de gente. Precisava de a ampliar, mas não dispunha do dinheiro necessário para a obra. Tinha também preocupações. A mãe estava a ficar idosa, com a passagem dos dias, ia parecendo mais cansada. Não adiantava puxar o fio da bola mágica, pois isto só lhe aceleraria a chegada da morte. De repente, ela faleceu, e Pedro, parado diante do túmulo, pensou no modo como a vida passara tão rapidamente, mesmo sem fazer uso do fio mágico.
Uma noite, deitado na cama, sem conseguir dormir, pensando nas suas preocupações, achou que a vida seria bem melhor se todos os filhos já estivessem crescidos e com carreiras encaminhadas. Deu um fortíssimo puxão ao fio, e acordou no dia seguinte vendo que os filhos já não estavam em casa, pois tinham arranjado empregos em diferentes pontos do país, e que ele e a mulher estavam sós. O cabelo estava quase todo branco e doíam-lhe as costas e as pernas quando subia uma escada, ou os braços quando levantava uma viga mais pesada. Lise também envelhecera, e estava quase sempre doente. Ele não aguentava vê-la sofrer, de tal forma que lançava mão do fio mágico cada vez mais frequentemente. Mas sempre que o problema não se resolvia, já outro surgia em seu lugar. Pensou que talvez a vida corresse melhor se ele se aposentasse. Assim, não teria de continuar a subir aos edifícios em obras, sujeito a lufadas de vento, e poderia cuidar de Lise sempre que ela adoecesse. O problema era a falta de dinheiro suficiente para sobreviver. Pegou na bola mágica, então, e ficou a olhar. Para seu espanto, viu que o fio já não era prateado, mas cinza, e perdera o brilho. Decidiu ir para a floresta dar um passeio e pensar melhor no significado de tudo aquilo.Já fazia muito tempo que não ia àquela parte da floresta. Os pequenos arbustos haviam crescido, transformando-se em árvores frondosas, e foi difícil encontrar o caminho que costumava percorrer. Acabou por chegar a um banco no meio de uma clareira. Sentou-se para descansar e caiu num sono leve. Foi despertado por uma voz que o chamava pelo nome:
— Pedro! Pedro!
Abriu os olhos e viu a mulher que encontrara havia tantos anos e lhe dera a bola prateada com o fio dourado mágico. Aparentava a mesma idade que tinha no dia em questão, exactamente igual. Ela sorriu-lhe.
— E então, Pedro, a tua vida foi boa? — perguntou.
— Não tenho a certeza — disse ele. — A sua bola mágica é maravilhosa. Nunca na minha vida tive de suportar qualquer sofrimento ou esperar por qualquer coisa na minha vida. Mas tudo foi tão rápido. Sinto como se não tivesse tido tempo de apreender tudo que se passou comigo; nem as coisas boas, nem as más. E agora falta tão pouco tempo! Já não ouso puxar o fio, pois isso só anteciparia a minha morte. Acho que o seu presente não me trouxe sorte.
— Mas que falta de gratidão! — disse a mulher — Gostarias que as coisas fossem diferentes?
— Talvez se me tivesse dado uma outra bola, em que eu pudesse puxar o fio para fora e para dentro também. Talvez, então, eu pudesse reviver as coisas más.A mulher riu-se.
— Estás a pedir muito! Achas que Deus nos permite viver as nossas vidas mais de uma vez? Mas posso conceder-te um último desejo, seu tolo exigente.
— Qual? — perguntou ele.
— Escolhe — disse ela.
Pedro pensou bastante.Ao fim de bastante tempo, disse:
— Gostaria de voltar a viver a minha vida, como se fosse a primeira vez, mas sem a sua bola mágica. Assim, poderei experimentar as coisas más da mesma forma que as boas, sem encurtar a sua duração. Pelo menos, a minha vida não passará tão rapidamente e não se parecerá com um devaneio.
— Seja — disse a mulher. — Devolve-me a bola.
Ela esticou a mão e Pedro entregou-lhe a bola prateada. Em seguida, ele recostou-se e fechou os olhos, exausto.Quando acordou, estava na sua cama. A sua jovem mãe debruçava-se sobre ele, tentando acordá-lo carinhosamente.
— Acorda, Pedro, não vás chegar atrasado à escola. Estavas a dormir como uma pedra!Ele olhou para ela, surpreendido e aliviado.
— Tive um sonho horrível, mãe. Sonhei que estava velho e doente e que minha vida passara como num piscar de olhos sem que eu sequer tivesse ficado com algo para contar. Nem ao menos algumas lembranças.A mãe riu-se e fez que não com a cabeça.
— Isso nunca vai acontecer — disse ela. — As lembranças são algo que todos temos, mesmo quando velhos. Agora, anda, vai-te vestir. A Lise está a tua espera, não deixes que ela se atrase por tua causa.
A caminho da escola, em companhia da amiga, observou que estavam em pleno Verão e que fazia uma linda manhã, uma daquelas em que era óptimo estar-se vivo. Em poucos minutos, estariam a encontrar os amigos e colegas, e mesmo a perspectiva de enfrentar algumas aulas não parecia tão desagradável assim. Na verdade, ele não cabia em si de contente.
William J. Bennett
O Livro das Virtudes
Editora Nova Fronteira, 1995
Adaptação

Vírgulas para a Teresa de Longe


Amigos, com a mesma singeleza destas florinhas, e para corresponder a um pedido da nossa Teresa de Longe, aqui mando as minhas "vírgulas". O texto é um pouco comprido, Fátima, mas não se pode ter tudo por 25 tostões(...) e achei que dividir em partes não ia ajudar nada. Espero que a Censura não ligue muito aos exemplos que arranjei... Cá vai, então, Gente Minha:
A vírgula indica uma breve pausa na leitura, com ligeira inflexão de voz, e muitas vezes o seu uso varia de autor para autor, com determinadas intenções estilísticas ou expressivas. No entanto, há regras fixas que devem ser observadas e é dessas que vamos tratar aqui. Devido à sua importância, vou começar pelos casos em que não se deve usar a vírgula…
Regra número 1: Nunca se emprega a vírgula para separar o sujeito do predicado, se eles estão juntos: A ministra da Educação deve dormir muito mal.
Regra número 2. Nunca se separa por vírgula o verbo dos seus complementos: Ele mandou um grande ramo de flores para a seduzir.
Regra número 3. O vocativo é sempre, sempre, seguido de vírgula: Menino Jesus, dá-me uma boneca.
Não brinque connosco, Senhora Ministra, porque isto não vai lá assim.
Avó Pirueta, tu és muito impertinente!
Regra número 4. Os apostos ou continuados registam-se sempre entre vírgulas:
Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, tinha cabelinho na venta.
A obra mais conhecida de Agostinho Neto, Sagrada Esperança, é hoje usada para designar muitas instituições diferentes.
Regra número 5. As frases começadas por gerúndio ou particípio passado independente separam-se da oração seguinte por vírgula: Humilhando os Professores, ninguém com cabeça esperaria a sua colaboração.
Começando a chover, o passeio não se realizou.
Dada a situação de desconforto actual, as coisas não podem correr bem.
Regra número 6. Separam-se por vírgulas todos os elementos de uma oração com idêntica natureza e valor funcional, não ligados por conjunção: A senhora provocou, insultou, humilhou, colocou os professores todos no mesmo saco.
Regra número 7. Colocam-se entre vírgulas as palavras ou frases intercaladas: Por mais que a avisassem, e fizeram-no muitas vezes, ela não mudou de atitude.
Ela, teimosa, quis apanhar moscas com vinagre.
Regra número 8. Os advérbios sim e não são seguidos de vírgula quando começam uma oração e se referem à anterior:
Sim, a situação está mais do que escaldante.
Não, a solução não é enterrar a cabeça na areia.
Regra número 9. Usa-se vírgula depois das adversativas: porém, todavia, contudo, apesar disso, no entanto, pelo contrário, por outro lado: Podia ter-nos conquistado; contudo, preferiu fazer de nós o bode expiatório.
Apesar disso, a esperança ainda não morreu em muitos de nós.
Regra número 10. Antes de conjunções como embora, mas, etc., segue-se a regra anterior:
Sentia que ainda faltava muito para fazer, embora trabalhasse há horas sem fim.
Não me vou dobrar a esta regra sem sentido, ainda que isso me custe caro.
Regra número 11. Separam-se também, na generalidade, por vírgulas, as palavras aliás, enfim, isto é, pois, talvez, e outros elementos semelhantes: Não acredito nela, aliás, duvido que alguém acredite. Enfim, há sempre ingénuos, isto é, pessoas que ainda acreditam que os bebés vêm no bico das cegonhas.
Regra número 12. A vírgula também serve para separar a designação de uma entidade ou de um lugar, quando se data um escrito: Évora, 25 de Abril de 1974
Regra número 13. Antes do relativo que emprega-se a vírgula quando aquele introduz uma oração identificativa ou restritiva, como lhe queiramos chamar, isto é , que serve para identificar alguma coisa ou alguém: Os professores da Escola António Nobre, que responderam não à cenoura, deram-nos um exemplo de dignidade.
Neste caso estamos a afirmar duas coisas:
a) Todos os professores da Escola António Nobre responderam “não” à cenoura.
b) Todos os professores da Escola António Nobre nos deram um exemplo de dignidade.
Comparemos com esta frase:
Os professores que não têm espinha dorsal estão sempre bem.
Quem é que está sempre bem? Os professores que não têm espinha dorsal. Não são os Professores todos…
Reparemos: se eu disser:
a) O meu Pai que adorava chocolates tinha o azar de ser diabético.
b) O meu Pai, que adorava chocolates, tinha o azar de ser diabético.
no primeiro caso, estou a “insultar” a minha Mãe: “tenho tantos pais que, para identificar o que adorava chocolates, tenho que dizer que esse era o triste que era diabético…”
No segundo exemplo não estou a identificar o meu Pai. Pai é só um…Estou a dizer duas coisas a respeito dele: que adorava chocolates e que era diabético.
Expliquei-me? Tive que adaptar os exemplos. Os que uso por aqui são mais "regionais"...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Cuidado com a pontuação!


No meu Livro da 4ª Classe havia um texto que começava assim: “Um caçador tinha um cão e a mãe do caçador era também o pai do cão. Isto nos idos de 1950/51. E seguia-se mais texto, para nos dar conta da importância da pontuação, o texto vinha mais abaixo pontuado como deve ser, mas é claro que a D. Magda queria é que nós pontuássemos e o resto eram cantigas… Frases no quadro, livros fechados e vamos lá a usar a lógica! (Esta coisa de a gente não ter televisão aguçava muito a Lógica, digo-vos eu!). Bem, apesar de arrevesada, a forma correcta seria assim: “Um caçador tinha um cão e a mãe; do caçador, era também o pai do cão”. Resumindo, o maroto do caçador tinha três cães: o cão com que caçava e ainda o pai cão e a mãe cadela do dito cão…
É também famoso aquele texto do testamento do ricaço que não teve tempo de fazer a pontuação antes de morrer:
Um homem rico estava muito doente, pediu papel e caneta, e assim escreveu:
"Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a contado alfaiate nada aos pobres"
E o rico homem morreu antes de fazer a pontuação.
Para quem deixava ele a fortuna?Eram quatro concorrentes.O sobrinho fez a seguinte pontuação:"Deixo meus bens à minha irmã? Não, a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres."
A irmã chegou em seguida e pontuou assim o escrito:"Deixo meus bens à minha irmã, não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres."
O alfaiate pediu cópia do original e puxou a brasa para a sua sardinha:
"Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres."
Aí, chegaram os pobrezinhos da cidade. Um deles, mais sabido, fez esta interpretação:"Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho jamais!Será paga a conta do alfaiate? Nada!
Aos pobres!"
Vejam, por outro lado, a diferença de interpretação no diálogo entre as Santas Mulheres, na manhã da Ressurreição, conforme a pontuação:
- Jesus ressuscitou? Não, está aqui.
- Jesus ressuscitou. Não está aqui.
- Jesus? Ressuscitou. Não está aqui.


E quem não se lembra de uma famosa vírgula, saída em Diário da República, destinada a atingir um alvo determinado? Afinal, as regras ainda não vão agora. Adevirtam-se, como se diz em Anobra, os mais velhos, claro...

Dicas para bem escrever

Há tempos recebi, de pessoa Amiga, "29 dicas para bem escrever". Como a Teresa de LOnge me pediu que postasse algumas regras para a utilização da vírgula, o que farei no poste já a seguir, aqui seguem as 29 dicas... Cuidado!
1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, tá fixe?
9. Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa m----.
10. Nunca generalize: generalizar, é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".
3. Frases incompletas podem causar...
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação correctamente o ponto e a vírgula especialmente
será que já ninguém sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá- las-ei!"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! O seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida, e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam desta forma, o pobreleitor a separá-la nos seus diversos componentes, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo >da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúaa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo no gerúndio. Você vai deixando seu texto pobre - causando ambiguidade - e esquisito, ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo.
29. Outra barbaridade que você deve evitar é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carago!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Resposta para a Viki e Ana Mano

Minhas Lindas, vou-vos ensinar um ditado que os portugueses usam vezes demais, na minha opinião: "A galinha da minha vizinha é sempre melhor do que a minha!" Mentira! Podem ser diferentes, mas a galinha da minha vizinha não tem que ser melhor do que a minha. Portanto, minhas Queridas, eu peço-vos que, se gostam de mim como dizem, olhem para as vossas Avós como elas são e vejam-nas como umas grandes Avós. Amem-nas, respeitem-nas, mimem-nas, porque elas estão a fazer aquilo que é preciso no lugar e no tempo que é preciso.
Não estão aqui em África? Não, mas quase de certeza estão aí a fazer coisas muito precisas. Estão a trabalhar, a ajudar os filhos, a mimar os netos. Nunca comparem ninguém, porque nós só vemos pelo lado de fora, não vemos as pessoas por dentro.
Agora, também não quero que fiquem a pensar que fiquei triste ou aborrecida com os vossos comentários! Nada disso! Gostei muito de saber que apreciam o que eu faço, mas (outro ditado...) " o seu a seu dono". Sabem de que é que eu gostaria agora? Seria que vocês, pessoalmente ou pelo telefone, dessem um grande abraço e um grande beijo aos vossos Avós, ele e ela. Pode ser?
Beijinhos, minhas Lindas, da Avó Pirueta e que Deus vos abençoe.

Se é dia de Portugal, vamos falar Português!

À e Há
As palavras à e fazem um apelo a todos os falantes da língua portuguesa para que parem de os maltratar como tem sido feito estes últimos tempos!

APELO DO À
Olá, eu sou o à. Sou a contracção da preposição a e do artigo definido a, ou seja, a+a dá um à mais carregado. O meu acento é assim: à . Gosto de usar este boné conservador, detesto usar o boné à surfista… Os meus melhores amigos são substantivos e pronomes. Costumo vir em frases como: Vou à escola.
Não à avaliação normalista!
Não às aulas moribundas!
Não tenho nada a ver com o tempo… esse pelouro é do . Por favor, não me confundam com aquele tipo que tem medo de estar sozinho e que precisa de um h para o proteger!

APELO DO HÁ
Olá, eu sou o . Pertenço ao verbo haver e ando sempre aborrecido porque se estão sempre a esquecer de mim… Apresento-me então: sou a 3ª pessoa do singular do verbo haver no presente do indicativo. Dou-me muito bem com o tempo (duração, não o tempo de sol e chuva!):
Há bocado,
há dias,
há 1 hora,…
Mas também em frases como esta:
Há duas bananas na fruteira.
Há gente capaz de tudo.
Há muitas maneiras de matar pulgas...
Por favor, não me confundam com aquele tipo do boné!
Podemos dar uma ajudinha para não nos confundirem?
Uma maneira fácil de distinguir se é ou à é substituir o «» por «existe» ou «existem”:
Há estudantes que procuram saber mais. = Existem estudantes que procuram saber mais.
é a terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo haver. O à, por sua vez, é a contracção da preposição a com o artigo definido feminino (a + a), que se fundiram numa só palavra. Esta fusão é assinalada, como em todas as contracções semelhantes, pelo acento grave (`).
A Andreia vai à piscina todos os fins-de-semana, mas há duas semanas que não a vejo por lá.

É nisto que eu acredito: o Futuro terá de ser uma bela mestiçagem!







No Domingo fui a casa da minha Amiga Isabel. Amiga de infância, praticamente. Amigas de sempre, numa Amizade que não tem nada a ver com locais, espaços, tempos, modos. Estamos anos sem nos vermos e recomeçamos a conversa onde a deixámos. Fui lá festejar o primeiro aniversário do Tomás, o neto mais novo, também por isso um pouco meu neto. É uma criança que nasceu para trazer Alegria.




O Tomás nasceu aqui em Luanda. no dia 8 de Junho, e teve na sua festinha meninos de todas as cores. É nisso que eu acredito para o Futuro. Estes arcos-íris são fundamentais. Partilho convosco algumas daquelas cenas triviais de festas de aniversário de um pouco mais que bebé. Vejam se não tenho razão para ter esperança.