Senhora Ministra da Educação,
Excelência,
Estou a escrever-lhe de Luanda, Angola, e creio que a distância física a que nos encontramos me dá a objectividade necessária para lhe dar umas pequenas ideias. Fartei-me de comprar livros para aprender a fazer xaropes com plantas, a descobrir as últimas ervas comestíveis, a ver o que se pode dizer e fazer para humanizar pessoas a quem as necessidades prementes de viver, paradoxalmente, desumanizaram. Foi nesse afã que tentei encontrar uma obra com dicas para Ministros da Educação, mas a procura deve ser pequena, porque não encontrei nada, depois de buscar neste mundo e no outro. No entanto, fortalecida com este sentimento africano de que os seniores valem por si só e têm o respeito de todos como “mais velhos”, atrevo-me a pedir-lhe autorização para lhe enviar algumas conclusões a que cheguei nesta já longa vida de mestra e aprendiz, assim como algumas sugestões.
E além disso, com estas, os Amigos da minha Caixinha de Afectos vão ficar a saber que estou bem e me recomendo. Ah, se a Senhora Ministra não se importasse, faria aqui um pequeno desvio só para dar uma Abraço especial ao Existente Instante (a Senhora sabe que nós, os bloguistas, aproveitamos para nos crismarmos e eu acho este nome de uma poesia imensa, embora não seja o único). Pois, meu Querido Existente Instante, foi a surpresa mais bonita que recebi, assim que me consegui organizar em termos de Net. O que não foi fácil… Mas o facto de teres interrompido a tua suspensa espera para me mandares um abraço foi um verdadeiro presente. Desculpem os outros Afectos da Caixinha, mas eu sempre apreciei a parábola do Filho Pródigo e encontrei uma vaga similitude entre as situações…
Primeiro, Senhora Ministra, queria sugerir-lhe que pusesse alguém do Ministério a ler blogues. Vai ver a categoria de Professores que tem e vai fazer-lhe bem. Porque eu tenho cá uma impressão de que nos Ministérios se esquece como é a Vida real. Por isso, eu concordo com a Avaliação. Mas AVALIAÇÃO como deve ser, para separar (e premiar) os cavalos dos burros. Não para humilhar nem vender formações esquisitas, como já começa a aparecer.
Depois, queria dizer-lhe que considero que a Educação é o mais importante Ministério do Governo, porque é na Educação que está o futuro. Poderia e deveria bater o pé nas reuniões, falar grosso e fazer-se valer. Mas para isso precisaria de ter o que não tem: uma quantidade de gente capaz (Professores, claro) por detrás, a dar-lhe apoio. Sabemos que tem o apoio do Primeiro-Ministro, mas olhe que nem sempre “vale mais ser Ministra por um dia do que Professora toda a Vida”, que me perdoe D. Luísa de Gusmão.
Lembre-se de que ninguém sensato faz obras de fundo em casa com os móveis e a família lá dentro. Se o faz, é barafunda na certa e as obras não acabam em bem. E se os obreiros não estiverem consigo, nunca mais chega a lado nenhum.
Não siga aquele dito (não é ditado) que refere que "antes faça mal do que se estrague". Em Educação é mais do que perigoso - pode ser criminoso.
Feche para balanço, como fazem as empresas, e seja realista. Como não se pode fazer tudo ao mesmo tempo (nem se deve), comece pelo princípio: reorganize completamente o ensino pré-primário e o 1º ciclo. Para fazer essa reorganização, não convoque uma comissão muito grande. Grande nau, grande tormenta. Quando há muita gente, a responsabilidade dilui-se. Escolha poucos, mas bons.
A maior parte dos membros dessa pequena comissão haveria de ser composta por professores desse nível escolar, embora deva ter alguns outros elementos para ter uma visão externa e de conjunto, com especial realce para os que vão pegar nas crianças no ciclo segionte.
Ouça os Pais e os Professores, o que não quer dizer forçosamente que tenha que ouvir os sindicatos. (Manterei esta opinião até ver os sindicatos defenderem outra coisa que não sejam direitos, sem se pronunciarem sobre deveres). Mesmo no caso dos Pais, desconfie dos dirigentes de Associações de Pais "profissionais". (A maior parte das vezes estão mais interessados no facilitismo do que na Educação dos seus filhos e educandos).
Quando remodelar (porque um dia lá terá que ser…) aqueles órgãos intermédios, que, muitas vezes, só andam a empatar-se uns aos outros, não "devolva" os técnicos que os constituem à Escola. Deveria dar-lhes possibilidade de escolherem se querem mesmo voltar. A Senhora Ministro sabe muito bem que muitos deles se transformaram nisso porque não gostavam de ser professores.
Assim, aqueles que demonstrassem não ter, de facto, perfil para educar, para formar, poderiam ganhar o mesmo e ficar numa espécie de limbo, a fazer umas coisas que têm que ser feitas e ocupam pessoas mais válidas. Por exemplo, fazer as estatísticas, confirmar os dados dos concursos dos professores, etc….
Dos programas do ensino pré-primário faria obrigatoriamente parte a aprendizagem de regras simples como cumprimentar, responder ao cumprimento, agradecer, pedir por favor, sentar-se quando a tarefa assim o exigir, partilhar e ser feliz.
A regra acima obriga a fazer um exame aos educadores para verificar até que ponto estão aptos e dispostos a fazer cumprir o programa definido, mas obrigatoriamente com Amor e Alegria. Nesse caso, seja exigente, porque estes são os verdadeiros alicerces. E como a oferta é maior (pelo menos, parece) do que a procura, quem não servir que vá fazer outra coisa.
Mande avaliar as Escolas Superiores de Educação. Quantos dos seus mestres já estiveram em situação normal de aula de crianças com que vão trabalhar os seus pupilos?
Pense em impor uma regra derivada da situação acima: todos os professores de professores deveriam dar aulas um ano nos níveis para que preparam os futuros professores. Para que não se repita aquela anedota “tu não sabes e eu já me esqueci”.
Quando os pais fecharem as escolas a cadeado, faça cumprir a lei, pois julgo que se incorre em duas faltas: actuação abusiva sobre bens do Estado e impedimento do exercício das acções para educar, que são obrigatórias até ao fim do 3º ciclo, pelo menos por agora.
Aliás, não se preocupe muito com estas acções ou com as greves. Preocupe-se com o que lhes está na origem e, se houver fundamento, seja Grande e corrija os erros. Não há nada que se pague mais caro do que erros em Educação e a prova está aí à frente de quem quiser ver.
Não permita que haja pessoas a “ensinar” que digam "há-des", "tu fizestes" ou "póssamos" e que não gostem de ler. Nem de sorrir.
Senhora Ministra, não quero abusar do seu tempo, mas ainda tenho mais no meu baú de Avó. À disposição de V. Exa. despeço-me com os mais respeitosos cumprimentos, Maria do Carmo Cruz
PS. Desculpe não levar imagem mas estou com uns problemazitos...
segunda-feira, 12 de maio de 2008
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Deixem dizer-vos hoje
Era uma vez uma Pessoa que descobriu que não poderia viver sem Amor (talvez porque soubesse o que era). Mas ela tinha Amor à sua volta: dos Filhos, dos Amigos, e ainda de tanta outra gente que ela já não sabia destrinçar se eram Filhos, se Amigos. Mas faltava-lhe alguma coisa: a Escola, especialmente uma Escola viva e, de uma forma quase dolorosa, o convívio com os jovens, os Alunos.Faz o que pode para colmatar esse vazio e uma das vias que usa é visitar a sua última Escola. Lá, sem o saber, recebeu um presente imenso: disseram-lhe que “se fosse ao terrear era capaz de encontrar gente com as preocupações dela”. E até iria encontrar muitas grelhas de avaliação, porque o José Matias Alves (“lembras-te?”, perguntaram-lhe então) era o “dono do blogue”. Bem, a necessidade das grelhas não vem ao caso, até porque não tem nada a ver com Professores.
E essa vossa Amiga foi ao terrear e apaixonou-se por uma quantidade de gente: primeiro, o Zé, que conhecia, mas superficialmente, de outras guerras. Depois, em catadupa, a Fátima André, o Raul do Sorriso Imenso, a Anabela do Tâmega, a Teresa do Lindo Nome, o Existente Instante, a Isaura das partilhas, a Renard que a vê lendo-a, a Teresa de Dusseldorf, a Elsa do retrato sinestésico, a Rosário que perdeu o ânimo (momentaneamente, espera-se) e até, sempre com tanto gosto, o cumpadre do Oeste. E depois, quando notou que poderia estar a perturbar os blogues por onde se andava a aninhar, ela resolveu criar o seu próprio blogue.
Essa Mulher feliz sou eu, a mesma menina que não teve a boneca que pediu no seu primeiro Natal. O que só prova que tudo pode mudar para melhor (Zé, esta conclusão é para juntar à tua parábola dobre a justiça da Justiça). Mas é para todos que estou a escrever. É a todos que quero agradecer a porta que abriram para eu entrar, as boas vindas com que fui recebida, as vossas palavras sempre embaraçosamente gentis. Como já disse à Isaura, o meu corpo, objecto físico, vai partir, mas o meu espírito, múltiplo e infinito porque é uma chispa do Espírito que o criou, fica convosco mesmo indo comigo.
Vou ter, certamente, menos tempo para reflectir e partilhar as minhas reflexões convosco. Ou não… Afinal, nada é definitivo! Mas vou ver-vos todos os dias, vou sentir-me não só a Amiga mas também a orgulhosa Mãe, Irmã, Avó (lembremo-nos dos Corações Adolescentes do Raul e especialmente da Vera e também do Maracujá da Anabela), de todos vós. E Colega, mas assim mesmo, Colega, com letra grande. A sentir as vossas alegrias, tristezas e angústias
Quero deixar-vos uma mensagem de Esperança. Aliás, quero devolver-vos, acrescentada, a Esperança na Educação que me deram e que tão profundamente vos agradeço. As coisas estão feias, reconheço. As dificuldades são muitas, não duvido. As deserções doem, eu sei. A falta de reconhecimento pela função do Professor é injusta, sinto-o na minha carne também.
Mas, mesmo assim, eu julgo que os Professores são a última Esperança deste Portugal que se estilhaça em coisas mesquinhas. Nós, Professores, nunca usámos a força que temos, em comunhão (como no dia dos 100.000) para revolucionar. E precisamos de ser revolucionários. Não só por uma Avaliação justa. Não só por nós, mas pelos nossos jovens, todos, mesmo os que nos desesperam (esses mais do que ninguém), pelos que não têm maneiras, pelos que são grosseiros, violentos, indiferentes.
Vocês todos, aqui nomeados, são a minha Esperança no Futuro dos meus netos. E esse é, para mim, o melhor elogio que vos posso deixar.
Um abraço apertado da Avó Pirueta.
PS. Por me orgulhar disso, aqui vos mando mais alguns nomes por que sou conhecida: Mãe Bom-Dia, Mãe Descomplica, Irmã. São só alguns…
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Um dia tive seis anos e não sabia...
Um dia tive seis anos e era véspera de Natal.
Alguém me perguntou onde é que poria os meus sapatos.
Os meus sapatos? Os meus únicos sapatos, de pano, castanhos?
“ - Ah, disseram-me, não sabes, não faz mal.
Podes pô-los em qualquer lugar,
Porque o Menino Jesus há-de adivinhar.”
E para que queria o Menino Jesus os meus sapatos?
Eu só tinha aquele par…
E depois, o que haveria de calçar para levar para a Escola?
“ - Não te preocupes, Menina. Ele é que tos vai encher
Daquilo que o teu coração quiser.”
“ - Sim? Então, uma boneca, pode ser?
Não tenho uma boneca. Só quero uma boneca!”
“ - Sim, esta noite, dorme bem,
Porque Ele não gosta de acordar quando vem
E gosta de dar quando ninguém vê.”
“ - Ai, sim? Então porquê?”
“ - Porque Ele é Jesus, Filho de Deus, é Deus e nosso Irmão.”
Ai, com que alvoroçado coração
Me fui deitar naquela noite longa.
Fechei os olhos com força, com vontade,
E de manhã acordei para a verdade:
Os meus sapatos estavam lá, como os deixei,
Vazios.
Procurei no quarto todo, era tempo do calor
Mas os meus ossos estavam frios.
Esta recordação apenas para lembrar
Que é preciso cuidado ao prometer
Porque depois se espera receber.
Alguém me perguntou onde é que poria os meus sapatos.
Os meus sapatos? Os meus únicos sapatos, de pano, castanhos?
“ - Ah, disseram-me, não sabes, não faz mal.
Podes pô-los em qualquer lugar,
Porque o Menino Jesus há-de adivinhar.”
E para que queria o Menino Jesus os meus sapatos?
Eu só tinha aquele par…
E depois, o que haveria de calçar para levar para a Escola?
“ - Não te preocupes, Menina. Ele é que tos vai encher
Daquilo que o teu coração quiser.”
“ - Sim? Então, uma boneca, pode ser?
Não tenho uma boneca. Só quero uma boneca!”
“ - Sim, esta noite, dorme bem,
Porque Ele não gosta de acordar quando vem
E gosta de dar quando ninguém vê.”
“ - Ai, sim? Então porquê?”
“ - Porque Ele é Jesus, Filho de Deus, é Deus e nosso Irmão.”
Ai, com que alvoroçado coração
Me fui deitar naquela noite longa.
Fechei os olhos com força, com vontade,
E de manhã acordei para a verdade:
Os meus sapatos estavam lá, como os deixei,
Vazios.
Procurei no quarto todo, era tempo do calor
Mas os meus ossos estavam frios.
Esta recordação apenas para lembrar
Que é preciso cuidado ao prometer
Porque depois se espera receber.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Acabou-se, disse a Raposa ao Lobo
Pronto, aqui vão as últimas. Aceito, de bom grado, todas as críticas construtivas e com paciência cristã as outras...
21. Nunca deixe o quadro por limpar. É um mau exemplo e uma falta de consideração pelo Colega e alunos que vêm a seguir.
22. Não comente as aulas, atitudes ou estratégias dos seus Colegas. No entanto, se lhe parecer que algo de grave se está a passar, não ignore. Fale, discretamente, com o Director de Turma para ver o que se passa.
23.Tenha cuidado em não manifestar preferência ou má vontade contra quaisquer alunos, individualmente, ou na globalidade da turma. Além de ser um procedimento deselegante, é altamente desmotivador.
24. Se tiver alunos que, de forma clara, se distinguem pelas suas capacidades, não deixe de os ver só porque eles sabem. Desafie-os: dê-lhes trabalhos ou problemas mais exigentes, peça a sua colaboração para explicar alguns assuntos, mas tenha o maior cuidado em não lhes alimentar o ego. Aliás, só deve recorrer a estas estratégias se o aluno estiver de acordo. Quando não se actua, a maior parte das vezes, estes alunos consideram-se "invisíveis" para o Professor, sentem-se abandonados e desmotivados, e chegam a detestar a Escola.
25. Promova trabalhos de grupo, porque o Aluno vai precisar de saber trabalhar com outros na vida profissional, no mundo do trabalho. Mas esteja atento e não deixe que alguns se aproveitem do trabalho que não realizaram.
26. Embora, como se disse, as mudanças sejam contínuas e rápidas, saber trabalhar para realizar um projecto é uma ferramenta indispensável para o futuro. Se não conhece as técnicas, esteja atento, porque há obras que tratam do assunto e há acções de formação apropriados.
27.Participe nas actividades não lectivas, tais como visitas de estudo, semanas temáticas, festas da Escola, seminários ou palestras. A sua presença será especialmente importante nas actividades organizadas pelos alunos.
28. Quando for solicitado a dar opinião ou a participar em iniciativas dos Alunos, procure corresponder, mas não faça o trabalho por eles. Ajude-os a assumir as suas responsabilidades.
29. Se os alunos demonstrarem, da forma adequada, que desejam discutir determinado assunto na sua aula, não diga logo que não: muitas vezes, essas conversas, desde que as não deixemos descambar para a brincadeira, são mais importantes do que os conteúdos programáticos. Tenha apenas cuidado para que eles não se entusiasmem a querer repetir a receita com muita frequência. Aliás, faça-lhes ver que a sua cedência, ainda que justificada, exige uma contrapartida - terão de estar mais atentos e participar mais activamente nas aulas seguintes para não descontrolar o seu planeamento.
30. Saiba estar. Isto é, vista com bom gosto, sobriamente, sem pedantismo. Sente-se, levante-se e caminhe de acordo com as regras da boa educação. Lembre-se de que, para a maior parte dos seus alunos (mesmo de muitos que vêm em carros de luxo), os professores são, praticamente, as únicas referências para aprenderem a estar e a agir de acordo com as regras de boa educação.
Bem, aqui deixo as minhas sugestões. Não tratam de avaliação, não estão escritas em eduquês e, lendo os comentários aos blogues da minha caixinha de Afectos e outros mais desafectos, pensei que talvez não fossem descabidas. Se o forem, desculpem qualquer coisinha...
21. Nunca deixe o quadro por limpar. É um mau exemplo e uma falta de consideração pelo Colega e alunos que vêm a seguir.
22. Não comente as aulas, atitudes ou estratégias dos seus Colegas. No entanto, se lhe parecer que algo de grave se está a passar, não ignore. Fale, discretamente, com o Director de Turma para ver o que se passa.
23.Tenha cuidado em não manifestar preferência ou má vontade contra quaisquer alunos, individualmente, ou na globalidade da turma. Além de ser um procedimento deselegante, é altamente desmotivador.
24. Se tiver alunos que, de forma clara, se distinguem pelas suas capacidades, não deixe de os ver só porque eles sabem. Desafie-os: dê-lhes trabalhos ou problemas mais exigentes, peça a sua colaboração para explicar alguns assuntos, mas tenha o maior cuidado em não lhes alimentar o ego. Aliás, só deve recorrer a estas estratégias se o aluno estiver de acordo. Quando não se actua, a maior parte das vezes, estes alunos consideram-se "invisíveis" para o Professor, sentem-se abandonados e desmotivados, e chegam a detestar a Escola.
25. Promova trabalhos de grupo, porque o Aluno vai precisar de saber trabalhar com outros na vida profissional, no mundo do trabalho. Mas esteja atento e não deixe que alguns se aproveitem do trabalho que não realizaram.
26. Embora, como se disse, as mudanças sejam contínuas e rápidas, saber trabalhar para realizar um projecto é uma ferramenta indispensável para o futuro. Se não conhece as técnicas, esteja atento, porque há obras que tratam do assunto e há acções de formação apropriados.
27.Participe nas actividades não lectivas, tais como visitas de estudo, semanas temáticas, festas da Escola, seminários ou palestras. A sua presença será especialmente importante nas actividades organizadas pelos alunos.
28. Quando for solicitado a dar opinião ou a participar em iniciativas dos Alunos, procure corresponder, mas não faça o trabalho por eles. Ajude-os a assumir as suas responsabilidades.
29. Se os alunos demonstrarem, da forma adequada, que desejam discutir determinado assunto na sua aula, não diga logo que não: muitas vezes, essas conversas, desde que as não deixemos descambar para a brincadeira, são mais importantes do que os conteúdos programáticos. Tenha apenas cuidado para que eles não se entusiasmem a querer repetir a receita com muita frequência. Aliás, faça-lhes ver que a sua cedência, ainda que justificada, exige uma contrapartida - terão de estar mais atentos e participar mais activamente nas aulas seguintes para não descontrolar o seu planeamento.
30. Saiba estar. Isto é, vista com bom gosto, sobriamente, sem pedantismo. Sente-se, levante-se e caminhe de acordo com as regras da boa educação. Lembre-se de que, para a maior parte dos seus alunos (mesmo de muitos que vêm em carros de luxo), os professores são, praticamente, as únicas referências para aprenderem a estar e a agir de acordo com as regras de boa educação.
Bem, aqui deixo as minhas sugestões. Não tratam de avaliação, não estão escritas em eduquês e, lendo os comentários aos blogues da minha caixinha de Afectos e outros mais desafectos, pensei que talvez não fossem descabidas. Se o forem, desculpem qualquer coisinha...
Aqui vão os 10 do meio...
Cá vão mais 10. Nada do outro mundo, como verão:
11.Seja amável. Sorria, mas seja firme, se for caso disso. Não siga aquele velho conselho de "não mostrar os dentes até ao Natal".
12. Muitas vezes, infelizmente, vai ter alunos difíceis. Peça ajuda adequada para agir com segurança mas lembre-se de que, a maior parte das vezes, a insubordinação, a má educação, o mau comportamento, a falta de hábitos de trabalho acontecem porque nem os pais nem os outros professores antes de si se preocuparam com as Pessoas que existem dentro dos alunos.
13.Leia pelo menos um bom jornal nacional por dia. Além de ficar a par do que se passa, há sempre numerosos assuntos que nos podem servir de introdução ou motivação às aulas.
14. Sempre que se proporcionar, pergunte coisas aos alunos sobre assuntos que eles dominam e "deixe-se" ensinar. Da música ao futebol, das novas tecnologias às linguagens codificadas, há todo um mundo que pode descobrir. E é importante saber o que interessa aos alunos.
15. Por favor, não considere que a sua disciplina é a mais importante de todas e nunca, mas nunca, faça qualquer referência de menos consideração por qualquer outra disciplina.
16. Faça um esforço para saber como é que a sua disciplina pode interagir com outras. Promova reuniões com outros professores e não julgue que as interacções só podem ocorrer em disciplinas afins. Se aprofundar esta ideia, não lhe faltarão surpresas.
17.Seja cordial: cumprimente os seus alunos ao entrar, despeça-se quando sai, deseje bom fim-de-semana nas aulas de sexta-feira, peça o que tiver que pedir por favor e não se esqueça de agradecer.
18. Exija limpeza na sala e não se coíba de mandar limpar quem suja, seja o tampo da carteira com mensagens bonitas ou feias, seja lançar papéis para o chão.
19. Do mesmo modo, utilize linguagem adequada e não permita o uso de termos grosseiros ou indelicados perto de si.
20.Lembre-se de que não é apenas Professor dentro da sala de aula. Também o é nos corredores, no bufete, no refeitório, no recreio. Aja sempre como tal e não finja que não vê coisas que não permitiria na sua sala de aulas.
11.Seja amável. Sorria, mas seja firme, se for caso disso. Não siga aquele velho conselho de "não mostrar os dentes até ao Natal".
12. Muitas vezes, infelizmente, vai ter alunos difíceis. Peça ajuda adequada para agir com segurança mas lembre-se de que, a maior parte das vezes, a insubordinação, a má educação, o mau comportamento, a falta de hábitos de trabalho acontecem porque nem os pais nem os outros professores antes de si se preocuparam com as Pessoas que existem dentro dos alunos.
13.Leia pelo menos um bom jornal nacional por dia. Além de ficar a par do que se passa, há sempre numerosos assuntos que nos podem servir de introdução ou motivação às aulas.
14. Sempre que se proporcionar, pergunte coisas aos alunos sobre assuntos que eles dominam e "deixe-se" ensinar. Da música ao futebol, das novas tecnologias às linguagens codificadas, há todo um mundo que pode descobrir. E é importante saber o que interessa aos alunos.
15. Por favor, não considere que a sua disciplina é a mais importante de todas e nunca, mas nunca, faça qualquer referência de menos consideração por qualquer outra disciplina.
16. Faça um esforço para saber como é que a sua disciplina pode interagir com outras. Promova reuniões com outros professores e não julgue que as interacções só podem ocorrer em disciplinas afins. Se aprofundar esta ideia, não lhe faltarão surpresas.
17.Seja cordial: cumprimente os seus alunos ao entrar, despeça-se quando sai, deseje bom fim-de-semana nas aulas de sexta-feira, peça o que tiver que pedir por favor e não se esqueça de agradecer.
18. Exija limpeza na sala e não se coíba de mandar limpar quem suja, seja o tampo da carteira com mensagens bonitas ou feias, seja lançar papéis para o chão.
19. Do mesmo modo, utilize linguagem adequada e não permita o uso de termos grosseiros ou indelicados perto de si.
20.Lembre-se de que não é apenas Professor dentro da sala de aula. Também o é nos corredores, no bufete, no refeitório, no recreio. Aja sempre como tal e não finja que não vê coisas que não permitiria na sua sala de aulas.
Desculpem a presunção
Amigos, todos nós sabemos que as opiniões e os conselhos se dão, o que, para muita gente, não é grande elogio. Este é o primeiro Mas. A seguir, preciso de confessar que não tenho a certeza de estar devidamente actualizada. No entanto, ouso publicar aqui, dividido em três postagens (será assim que se diz?), para não cansar, 30 conselhos que "arrumei" há uns 5 ou 6 anos para quem quisesse ser professor. Aqui vão os 10 primeiros:
"Há uma obra de Robert D. Ramsey, "501 Dicas para Professores", publicado pela Replicação, que gosto de abrir, numa página qualquer, e ler. Faço-o quase sempre com um sorriso e aquele menear de cabeça que significa "é isto mesmo!"
Ora, sem querer plagiar a referida obra, que tem como subtítulo " Ideias, estratégias e sugestões devidamente testadas", eu gostaria de pedir, humildemente, autorização para que me deixassem também apresentar alguns conselhos e sugestões. Vamos a isto:
1.Por favor, vá para Professor por gosto e vocação. Nenhuma licenciatura fará de si, de per si, um bom Professor. Além de que será, certamente, um ser humano infeliz, o que se repercutirá nos seus alunos.
2.Seja optimista - as coisas podem sempre correr melhor do que nós pensámos.
3.Seja franco - se estiver doente ou mal disposto, seja sincero e diga aos seus alunos que tem os seus próprios problemas e espera que eles não compliquem. Os jovens podem ser muito generosos.
4.Cultive-se - tudo avança e se modifica a alta velocidade, especialmente no campo do conhecimento. Não se deixe ficar para trás. Actualize-se continuamente. O lema agora é "aprender ao longo da vida".
5.Ensinar e aprender é Trabalho, mas não é uma expiação. Não precisa de usar muito "folclore" mas lembre-se de que já lá vai o tempo do "magister dixit". Estude a sua "gente", descubra estratégias e materiais, puxe por eles. Fale com Colegas e partilhe ideias e não só.
6. Faça os possíveis por mostrar que aquilo que ensina tem utilidade e, por favor, nunca menospreze a importância da sua disciplina.
7.Lembre-se de que um Professor é sempre Professor de Português. Use o registo de língua adequado à situação de aula e tenha um cuidado extremo naquilo que escreve.
8.Se pensa ou sabe que tem problemas de expressão escrita a nível de ortografia, estrutura frásica ou pontuação, aja de imediato. Adquira os livros que o podem ajudar, peça ajuda a amigos muito especiais e de confiança, use o corrector ortográfico do computador e leia bons autores portugueses. Dos que sabem mesmo escrever.
9. Tenha o máximo cuidado ao redigir os testes. Como sabe, há regras. Respeite-as. Seja claro no que pede, não utilize vocabulário que não usa normalmente nas aulas, parta do mais fácil para o mais difícil, dê sempre a conhecer a cotação de cada questão porque os alunos poderão ter necessidade de optar por uma ou outra questão, se tiverem problemas de tempo e não se esqueça de uma ou duas questões para que alguns alunos possam mostrar a diferença.
10.Não demore semanas a corrigir os testes e, se marcar trabalhos de casa, faça a sua correcção. Os alunos respeitam mais facilmente um Professor que entrega os testes com a brevidade possível e faz a sua correcção formativamente, isto é, de modo a que ela sirva para que os alunos aprendam o que não sabiam ou corrijam alguma ideia errada.
(Por motivos óbvios, ando um pouco atrapalhada com o tempo. Ainda não aprendi a fazer apresentações de jeito. Em Julho, se Deus quiser, vou aprender.)
"Há uma obra de Robert D. Ramsey, "501 Dicas para Professores", publicado pela Replicação, que gosto de abrir, numa página qualquer, e ler. Faço-o quase sempre com um sorriso e aquele menear de cabeça que significa "é isto mesmo!"
Ora, sem querer plagiar a referida obra, que tem como subtítulo " Ideias, estratégias e sugestões devidamente testadas", eu gostaria de pedir, humildemente, autorização para que me deixassem também apresentar alguns conselhos e sugestões. Vamos a isto:
1.Por favor, vá para Professor por gosto e vocação. Nenhuma licenciatura fará de si, de per si, um bom Professor. Além de que será, certamente, um ser humano infeliz, o que se repercutirá nos seus alunos.
2.Seja optimista - as coisas podem sempre correr melhor do que nós pensámos.
3.Seja franco - se estiver doente ou mal disposto, seja sincero e diga aos seus alunos que tem os seus próprios problemas e espera que eles não compliquem. Os jovens podem ser muito generosos.
4.Cultive-se - tudo avança e se modifica a alta velocidade, especialmente no campo do conhecimento. Não se deixe ficar para trás. Actualize-se continuamente. O lema agora é "aprender ao longo da vida".
5.Ensinar e aprender é Trabalho, mas não é uma expiação. Não precisa de usar muito "folclore" mas lembre-se de que já lá vai o tempo do "magister dixit". Estude a sua "gente", descubra estratégias e materiais, puxe por eles. Fale com Colegas e partilhe ideias e não só.
6. Faça os possíveis por mostrar que aquilo que ensina tem utilidade e, por favor, nunca menospreze a importância da sua disciplina.
7.Lembre-se de que um Professor é sempre Professor de Português. Use o registo de língua adequado à situação de aula e tenha um cuidado extremo naquilo que escreve.
8.Se pensa ou sabe que tem problemas de expressão escrita a nível de ortografia, estrutura frásica ou pontuação, aja de imediato. Adquira os livros que o podem ajudar, peça ajuda a amigos muito especiais e de confiança, use o corrector ortográfico do computador e leia bons autores portugueses. Dos que sabem mesmo escrever.
9. Tenha o máximo cuidado ao redigir os testes. Como sabe, há regras. Respeite-as. Seja claro no que pede, não utilize vocabulário que não usa normalmente nas aulas, parta do mais fácil para o mais difícil, dê sempre a conhecer a cotação de cada questão porque os alunos poderão ter necessidade de optar por uma ou outra questão, se tiverem problemas de tempo e não se esqueça de uma ou duas questões para que alguns alunos possam mostrar a diferença.
10.Não demore semanas a corrigir os testes e, se marcar trabalhos de casa, faça a sua correcção. Os alunos respeitam mais facilmente um Professor que entrega os testes com a brevidade possível e faz a sua correcção formativamente, isto é, de modo a que ela sirva para que os alunos aprendam o que não sabiam ou corrijam alguma ideia errada.
(Por motivos óbvios, ando um pouco atrapalhada com o tempo. Ainda não aprendi a fazer apresentações de jeito. Em Julho, se Deus quiser, vou aprender.)
Parábolas de sempre - Jesus e o futebol
No blogue Revisitar a Educação, a Fátima postou uma parábola de hoje. Lembrei-me, ao lê-la, de que eu tinha a mania de andar com um daqueles livrinhos do Padre Anthony Mello na carteira. Para quê e porquê? São pequeninos, podem ler-se em qualquer lado, quase não ocupam espaço e, de vez em quando, davam-me muito jeito. Imaginem um dia em que, como a Catarina muito bem disse, “Professora, hoje estamos todos com as hormonas muito agitadas”.
Resposta: “Caríssimos, para acalmarem, vou fazer um pequeno intervalo e ler-vos uma história”. E lia mesmo. Às vezes, ficávamos a dissecá-la, outras vezes a história já era lida com a promessa de que ficaria para conversa de intervalo.
Pois vou contar (não transcrever, porque os livros andam todos emprestados) a parábola de Jesus e o futebol. Sei-a quase de cor:
Soubemos, eu e alguns Amigos, que Jesus nunca tinha visto um desafio de futebol e resolvemos levá-lo a assistir a um jogo entre Católicos e Protestantes. A tarde estava magnífica, o campo estava cheio de adeptos calorosos e as duas equipas jogavam denodadamente, os Protestantes vestido de xadrez banco e preto e os Católicos de azul e branco.
De repente, os Católicos marcaram um golo e Jesus entusiasmou-se: gritou, bateu palmas, levantou-se do lugar, atirou o chapéu ao ar. Uma alegria.
Mas, daí a pouco os Protestantes marcaram também e Jesus fez a mesma coisa: gritou, bateu palmas, levantou-se do lugar, atirou o chapéu ao ar.
Olhámos uns para os outros e um dos Amigos que estava mesmo por detrás de Jesus tocou-lhe no ombro para lhe chamar a atenção e perguntou: “- Então, como é isso? Por quem é que estás a torcer?”
Jesus respondeu calmamente: “Torcer? Mas eu não vim torcer por ninguém, eu vim ver o jogo, vim divertir-me”.
A parábola não acaba aqui mas eu confesso um truque: quando a lia no 10º ano acabava aqui e ela já dava pano para mangas.
Logo no princípio do 11º ano, para ver quantos “centímetros tinham crescido por dentro”, eu arranjava – era tão fácil - maneira de voltar a ler a história e era interrompida pouco depois: “- Professora, essa já conhecemos. ”
“- Não conhecem o fim, que vos vou ler agora: Então, o Amigo que tinha interpelado Jesus virou-se para os que estavam ao lado e disse: Olha, mais um ateu!”
Pois é: somos crentes e ateus, sempre, ao mesmo tempo. Depende daquilo em que queremos acreditar. Mas esta é apenas uma das milhentas conclusões possíveis.
Resposta: “Caríssimos, para acalmarem, vou fazer um pequeno intervalo e ler-vos uma história”. E lia mesmo. Às vezes, ficávamos a dissecá-la, outras vezes a história já era lida com a promessa de que ficaria para conversa de intervalo.
Pois vou contar (não transcrever, porque os livros andam todos emprestados) a parábola de Jesus e o futebol. Sei-a quase de cor:
Soubemos, eu e alguns Amigos, que Jesus nunca tinha visto um desafio de futebol e resolvemos levá-lo a assistir a um jogo entre Católicos e Protestantes. A tarde estava magnífica, o campo estava cheio de adeptos calorosos e as duas equipas jogavam denodadamente, os Protestantes vestido de xadrez banco e preto e os Católicos de azul e branco.
De repente, os Católicos marcaram um golo e Jesus entusiasmou-se: gritou, bateu palmas, levantou-se do lugar, atirou o chapéu ao ar. Uma alegria.
Mas, daí a pouco os Protestantes marcaram também e Jesus fez a mesma coisa: gritou, bateu palmas, levantou-se do lugar, atirou o chapéu ao ar.
Olhámos uns para os outros e um dos Amigos que estava mesmo por detrás de Jesus tocou-lhe no ombro para lhe chamar a atenção e perguntou: “- Então, como é isso? Por quem é que estás a torcer?”
Jesus respondeu calmamente: “Torcer? Mas eu não vim torcer por ninguém, eu vim ver o jogo, vim divertir-me”.
A parábola não acaba aqui mas eu confesso um truque: quando a lia no 10º ano acabava aqui e ela já dava pano para mangas.
Logo no princípio do 11º ano, para ver quantos “centímetros tinham crescido por dentro”, eu arranjava – era tão fácil - maneira de voltar a ler a história e era interrompida pouco depois: “- Professora, essa já conhecemos. ”
“- Não conhecem o fim, que vos vou ler agora: Então, o Amigo que tinha interpelado Jesus virou-se para os que estavam ao lado e disse: Olha, mais um ateu!”
Pois é: somos crentes e ateus, sempre, ao mesmo tempo. Depende daquilo em que queremos acreditar. Mas esta é apenas uma das milhentas conclusões possíveis.
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